Seja no dia mais claro ou na noite mais densa, aqueles que forem ao cinema em agosto vão ter a oportunidade de assistir um dos maiores blockbusters do verão americano; chegando com dois meses de atraso por aqui, a superprodução ''Lanterna Verde'' finalmente ilumina os cinemas brasileiros a partir do dia 19, e revela os poderes do super-herói até para quem nunca se aventurou pelas páginas dos quadrinhos. ''No universo da DC Comics, existe o Superman, o Batman e a Mulher Maravilha. O Lanterna sempre foi lado B'', admite o psicólogo Paulo Guerra, fã do personagem desde criança e que está animado com a popularização da história. ''Eu acompanho os quadrinhos desde muito novo, e o Lanterna sempre teve um significado especial para mim. A expectativa é grande, quando eu for assistir o filme, vou sentir como se estivesse assistindo uma parte da minha própria história'', admite.
Surgindo como um herói ainda desconhecido do grande público, a superprodução de Lanterna Verde é fruto da nova safra de apostas em Hollywood, explorando a fonte milionária em que se transformaram as histórias em quadrinhos. O Besouro Verde e Thor são outros heróis 'secundários' que foram lançados no cinema este ano, enquanto as adaptações das aventuras do bárbaro Conan e do jornalista Tintim aguardam na fila de espera para estreiar nos próximos meses.
Mas a invasão dos heróis nem sempre agrada os fãs das HQs. ''Se os estúdios pelo menos conservassem as histórias originais, elas seriam um material ótimo para os filmes. Eles não têm feito isto. Ultimamente, a única coisa que presta são os efeitos especiais'', analisa o funcionário público Carlos Roberto Ruiz, que é fã de histórias em quadrinhos há mais de 40 anos e que está decepcionado com as recentes adaptações. ''Eu não sei como essas histórias são recebidas pela molecada, mas tenho certeza que fãs antigos, como eu, não estão muito satisfeitos'', reclama Ruiz, que gostou dos últimos longas do Homem-Aranha e do Batman, mas que vê defeitos fundamentais nos filmes do Hulk, Homem de Ferro e Demolidor.
Na contramão dos sucessos de bilheteria, a reclamação dos fãs sobre as adaptações de seus heróis preferidos tem sido uma constante em fóruns e blogs especializados na internet; com roteiro complexo e mirabolante, é difícil dar vida na película aos heróis de papel, e o espectador precisa estar preparado. ''Já vou assistir o Lanterna sabendo que cortes são necessários e que a adaptação dos quadrinhos é difícil'', revela Paulo Guerra, preocupado com a fidelidade ao verdadeiro espírito da HQ. ''Só espero que não estraguem o personagem'', ressalta. ''Está na hora de Hollywood tratar com mais respeito os seus heróis, e pensar na história, além do lucro'', concorda Ruiz.
Mas existe esperança no horizonte. Garimpando indicações ao Oscar, os estúdios estão buscando um nível maior de 'maturidade' cinematográfica nas suas adaptações de HQs. Um indício dessa preocupação está na escalação de diretores renomados para o comando de franquias de super-heróis: o cineasta Christopher Nolan (indicado ao Oscar por ''A Origem'') será o responsável por ''Batman: The Dark Knight Rises'' - o ponto final na trilogia do homem-morcego - e o diretor Daren Aronofsky (indicado ao Oscar por ''Cisne Negro'') vai criar uma nova versão cinematográfica para a história do mutante Wolverine, prevista para ser lançada em 2013. O que chama a atenção é que ambos os cineastas são famosos por explorarem profundamente o perfil psicológico em seus personagens. ''Por eu ser psicólogo, acho muito interessante observar como os quadrinhos atuais estão explorando o lado humano dos heróis'', observa Guerra, aprovando a tendência. ''Se isso for bem adaptado para as telas, vai tornar a narrativa muito mais complexa e interessante'', completa.

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