Democratizar a música parece ser a principal proposta do "Som Brasil". Tanto que, em seus sete anos de existência na atual formatação, o programa já foi palco de apresentações dos mais variados ritmos brasileiros. Homenageou Noel Rosa, Vinicius de Moraes, Chico Buarque e o rock, entre outros. A cada edição, um estilo musical é dissecado e conta com performances de artistas consagrados e conhecidos do gênero.
Ao lado deles, músicos que ainda alcançam um público restrito mostram suas versões – geralmente interessantes – das músicas do ritmo da vez. "A ideia é justamente pegar os grandes para trazer os novos. Porque não tem janela de oportunidade para eles", explica o diretor Luiz Gleiser.
Nesse cenário plural, o programa, pela primeira vez, dá espaço ao axé. Netinho, Tatau – ex-integrante do Araketu – e Sarajane representam a parcela dos músicos que conquistaram o Brasil com o ritmo baiano. Do outro lado, em busca de um espaço maior no mercado fonográfico, estão Marcela Martinez, Thathi e a Banda Uó, com seus arranjos mais ousados, que ultrapassam o limite do axé, e reforçam suas identidades.
"Quando me chamaram, pensei: 'Até que enfim'. É bacana, o axé é um ritmo popular, que está aí há muitos anos. Foi um encontro maravilhoso e acho que mantém a ideia do 'Som Brasil' de revelar talentos", avalia o cantor Netinho que, entre outras músicas, cantou "Milla", um de seus maiores sucessos. Já a baiana Marcela encara a chance de se apresentar no programa com felicidade e gratidão. "O convite foi uma surpresa maravilhosa. A partir dele, começamos a ensaiar, criar os arranjos com muito cuidado", conta.
A gravação durou dois dias. Mas antes os músicos ensaiaram, também por dois dias, em um estúdio de som. Lá, ajustaram todas as músicas e se prepararam para suas performances no "Som Brasil".
Em um cenário com quatro palcos distribuídos um em cada canto – favorecendo a movimentação circular da câmara –, os artistas se intercalavam nas apresentações. Por rodada, cada um cantava uma música sem intervalo em relação ao próximo. Depois, se fosse preciso, alguma canção era repetida.
Durante a gravação, o clima descontraído prevaleceu. A plateia participou, cantando e dançando as músicas baianas. E o diretor, sempre que fazia alguma intervenção, demonstrava seu bom humor, seja quando conversava sobre o andamento do programa com o público presente ou quando chamava a atenção de alguém da equipe técnica. "É uma verdadeira festa!", garante.
De volta ao comando do programa, Patrícia Pillar não esconde o orgulho em participar de um projeto como o "Som Brasil". "É um programa que fala de música de uma forma muito aberta e rica. É um xodó para mim", conta ela, que apresentou a primeira temporada desses sete anos. A homenagem ao axé, aliás, é algo que tem um valor quase afetivo para ela. Filha de baiana, Patrícia já passou muito Carnaval em Salvador. "Tenho pimenta no sangue", brinca.
Apesar da exibição tardia – entre 1h45 e 2h15 –, a audiência do "Som Brasil" se mantém satisfatória ao longo dos anos, segundo Gleiser. Durante a madrugada das sextas em que é exibido, o programa costuma alcançar uma média de 6 pontos no Ibope. "É sensacional, é mais que a soma das outras emissoras", gaba-se o diretor, que parece não se incomodar com o horário em que a produção vai ao ar. "Dedicar recursos de horário nobre para esse programa, que vai ao ar nesse horário, demonstra que na Globo todo horário é nobre", derrama-se. O programa está previsto para ir ao ar no dia 26 de abril.

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