Salvador de todos
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quarta-feira, 27 de março de 2013
Luana Borges<br>TV Press 
Democratizar a música parece ser a principal proposta do "Som Brasil". Tanto que, em seus sete anos de existência na atual formatação, o programa já foi palco de apresentações dos mais variados ritmos brasileiros. Homenageou Noel Rosa, Vinicius de Moraes, Chico Buarque e o rock, entre outros. A cada edição, um estilo musical é dissecado e conta com performances de artistas consagrados e conhecidos do gênero.
Ao lado deles, músicos que ainda alcançam um público restrito mostram suas versões geralmente interessantes das músicas do ritmo da vez. "A ideia é justamente pegar os grandes para trazer os novos. Porque não tem janela de oportunidade para eles", explica o diretor Luiz Gleiser.
Nesse cenário plural, o programa, pela primeira vez, dá espaço ao axé. Netinho, Tatau ex-integrante do Araketu e Sarajane representam a parcela dos músicos que conquistaram o Brasil com o ritmo baiano. Do outro lado, em busca de um espaço maior no mercado fonográfico, estão Marcela Martinez, Thathi e a Banda Uó, com seus arranjos mais ousados, que ultrapassam o limite do axé, e reforçam suas identidades.
"Quando me chamaram, pensei: 'Até que enfim'. É bacana, o axé é um ritmo popular, que está aí há muitos anos. Foi um encontro maravilhoso e acho que mantém a ideia do 'Som Brasil' de revelar talentos", avalia o cantor Netinho que, entre outras músicas, cantou "Milla", um de seus maiores sucessos. Já a baiana Marcela encara a chance de se apresentar no programa com felicidade e gratidão. "O convite foi uma surpresa maravilhosa. A partir dele, começamos a ensaiar, criar os arranjos com muito cuidado", conta.
A gravação durou dois dias. Mas antes os músicos ensaiaram, também por dois dias, em um estúdio de som. Lá, ajustaram todas as músicas e se prepararam para suas performances no "Som Brasil".
Em um cenário com quatro palcos distribuídos um em cada canto favorecendo a movimentação circular da câmara , os artistas se intercalavam nas apresentações. Por rodada, cada um cantava uma música sem intervalo em relação ao próximo. Depois, se fosse preciso, alguma canção era repetida.
Durante a gravação, o clima descontraído prevaleceu. A plateia participou, cantando e dançando as músicas baianas. E o diretor, sempre que fazia alguma intervenção, demonstrava seu bom humor, seja quando conversava sobre o andamento do programa com o público presente ou quando chamava a atenção de alguém da equipe técnica. "É uma verdadeira festa!", garante.
De volta ao comando do programa, Patrícia Pillar não esconde o orgulho em participar de um projeto como o "Som Brasil". "É um programa que fala de música de uma forma muito aberta e rica. É um xodó para mim", conta ela, que apresentou a primeira temporada desses sete anos. A homenagem ao axé, aliás, é algo que tem um valor quase afetivo para ela. Filha de baiana, Patrícia já passou muito Carnaval em Salvador. "Tenho pimenta no sangue", brinca.
Apesar da exibição tardia entre 1h45 e 2h15 , a audiência do "Som Brasil" se mantém satisfatória ao longo dos anos, segundo Gleiser. Durante a madrugada das sextas em que é exibido, o programa costuma alcançar uma média de 6 pontos no Ibope. "É sensacional, é mais que a soma das outras emissoras", gaba-se o diretor, que parece não se incomodar com o horário em que a produção vai ao ar. "Dedicar recursos de horário nobre para esse programa, que vai ao ar nesse horário, demonstra que na Globo todo horário é nobre", derrama-se. O programa está previsto para ir ao ar no dia 26 de abril.


