Saltando do ostracismo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de julho de 1998
Nelson Sato 
Falem o que quiserem. Se são caça-níqueis, ou meros registros para preencher temporadas de crise criativa dos artistas, não importa. As compilações de singles têm, quase sempre, o poder de abafar comentários depreciativos. No caso do recém-lançado CD Melting Pot (Roadrunner), dos Charlatans, só há o que festejar.
Pelo menos no Brasil, onde a banda teve só seu último álbum lançado nas lojas. Melting Pot sumariza a trajetória do quinteto para quem só conhecia a balada dançante The Only One I Know, um dos hinos do verão inglês na virada da última década.
ReproduçãoNovo disco da banda é uma compilação de singlesA música, com um orgãozinho que fez história, chegou a emplacar em alguns redutos alternativos de Londrina, quando conseguir um disco importado ainda era uma proeza digna de contar aos amigos e esnobar os inimigos. Anos se passaram, e os Charlatans foram largados ao ostracismo depois de figurar na linha de frente da indie dance, a tendência que unia guitarras sessentistas a batidas funkeadas e na qual despontavam nomes como Stones Roses, Happy Mondays, Soup Dragons e Inspiral Carpets.
Mas, como toda tendência, esta também virou pó na temporada seguinte. Só recentemente os Charlatans voltaram a estampar capas de revistas, graças ao culto a eles dedicado pela nova geração de DJs e artistas expoentes da bigbeat, cuja combinação sonora tem na banda uma de suas matrizes inspiradoras.
Os Chemical Brothers, por exemplo, não só já convidaram o vocalista Tim Burgess para cantar em uma das faixas de seu primeiro disco - Exit Planet Dust, de 95 - como produziram o último álbum dos amigos - Tellin Stories, de 97. De repente, os Charlatans foram redescobertos. Melting Pot é um convite para o público brasileiro também se converter à Burgess e sua turma.


