SALSA
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de fevereiro de 1997
Ranulfo Pedreiro 
Fotos: Mário CesarUepa!!! Se por um lado a música de abertura da novela Salsa e Merengue da Rede Globo ressuscitou o ex-Menudo Ricky Martin, por outro também resgatou uma onda que promete amarrar aqueles que não passam um final de semana sem dançar pela madrugada afora. A salsa pulou da tela da televisão para as academias de dança de salão, conquistou os novatos e promete ser um dos agitos deste verão. O ritmo já havia ensaiado algum sucesso, em 1988, com Salsa - O Filme Quente, protagonizado por outro ex-Menudo, Robby Rosa. Mas, na época, a tentativa de lançar a salsa foi engolida pelo furacão da lambada.
Desta vez, o ritmo tem chances de estourar: o sertanejo e o pagode não andam com muito fôlego, e o mercado fonográfico está alucinado em busca do ritmo que será a bola da vez. Nas boates, a salsa está pegando aos poucos. A Apoteose, em Londrina, já está promovendo intervalos com lamba-salsa, uma espécie de aula de dança comandada por um dançarino em cima do palco. É uma espécie de axé com música latina- explica Luis Carlos Mumu, professor de dança na cidade.
Mumu já fez parte do grupo Kaoma, um dos maiores sucessos do auge da lambada. O dançarino morou em Porto Seguro, onde aprendeu a dança, que considera uma subdivisão da salsa. Os ritmos latinos têm quase todos a mesma origem, a influência da música espanhola mesclada com os batuques africanos- explica ele.
Em cada região essa mistura ganhou uma característica diferente. Em Cuba ganhou o nome de salsa, na Venezuela gerou o calipso, na Bolívia a cumbia, na Costa Rica se tornou o zouk e no Brasil originou o samba e suas subdivisões. A salada aumenta porque as características da dança de cada ritmo também se misturam.
Foi o que ocorreu com a salsa, que no Brasil teve a dança misturada com trejeitos regionais. No Pernambuco, por exemplo, a salsa se aproximou do carimbó e é dançada com os joelhos flexionados. No Rio de Janeiro, segundo Mumu, o ritmo foi influenciado pelo samba. Em São Paulo, lembra o zouk da Costa Rica. No Paraná ela se aproximou do arrasta-pé, devido às influências das danças gaúchas - o professor acredita que é a tendência mais parecida com a cubana.
E onde entra o merengue? É uma espécie de salsa mais lenta, ideal para quem está começando a dançar, não possui experiência e apanha um pouco com a coordenação- esclarece Mumu, garantindo que a salsa é um ritmo mais novo que o merengue e mais apreciado pelos jovens. O professor cita a importância do Mercosul para a popularização da salsa: Hoje é comum a mídia veicular artistas latinos, o que não acontecia antes.
Uma verdadeira febreA salsa e o merengue já começam a influenciar a indústria fonográfica. Até o começo da novela, há alguns meses, era difícil conseguir uma trilha sonora para dançar qualquer um dos ritmos. Praticamente não existiam títulos em CD. Hoje encontramos cerca de 30 lançamentos- revela Mumu.
O mercado traz gravações que vão desde Fina Estampa de Caetano Veloso - que antecipou a onda latina - até Elba Ramalho, passando por Netinho, Ney Matogrosso, Daniela Mercury e Ivan Lins. As novidades no Brasil são artistas como Edd Santiago, Célia Cruz e Lalo Rodriguez, de Cuba, que começam a vender por aqui. Com tendência mais comercial, Ricky Martin, de Porto Rico, também é lembrado.
No restante da América Latina a coisa já está pegando fogo. Estive recentemente em Buenos Aires e a cidade vive uma verdadeira febre de salsa e merengue, comenta Mumu. Antes da novela global, o professor possuía apenas seis alunos de salsa reunidos em um único horário. Hoje os estudantes ultrapassam 40, divididos em três horários.
Mumu explica que os ritmos, além de proporcionarem o prazer da dança, ainda funcionam como exercícios aeróbicos e queimam calorias. Ou seja, ajudam a emagrecer. Desde que comecei a dançar, há cerca de dois meses, perdi cinco quilos- revela Rogério Farias Garrote, 15 anos, estudante. Além de emagrecer, a dança ajuda a desinibir, a relaxar- completa.
Já as irmãs Dayanne e Inayara Valéria Gonzalez, gêmeas de 19 anos, não abandonam a dança há cerca de um ano e meio. Depois de aprender diversos ritmos, a dupla revelou preferência pela salsa. O mais importante é a pessoa se soltar, caso contrário a dança não flui, explica Inayara.
A salsa é um ritmo ternário composto de sete movimentos básicos e mais as coreografias que caracterizam o estilo de cada dançarino. A salsa não pode perder a sensualidade, que é uma das principais características do ritmo, revela o professor.
Para quem quiser cair na salsa neste verão, aí vão algumas dicas. O ideal é procurar uma academia onde ninguém tenha vergonha de dançar. Também é interessante frequentar um lugar onde as pessoas tenham um mesmo objetivo: aprender a dançar. Quem entra na academia só para paquerar, geralmente dança mais do que o esperado. No mais, é só treinar bastante para sair salsando neste verão.


