A escola de samba Acadêmicos do Salgueiro vai viajar na história do avião em 2002. O enredo resgata a construção das primeiras máquinas voadoras, passa por Santos Dumont e chega aos dias de hoje com enfoque para a aviação comercial e a figura do Comandante Rolim fundador da TAM Linhas Aéreas falecido em julho deste ano.
Nos domínios da escola, no bairro da Tijuca (zona norte do Rio), os ensaios já esquentam as quadras e o samba-enredo está na ponta da língua. ''O sonho está no ar, vai decolar/ com o Salgueiro dando asas à imaginação'' são os primeiros versos da música assinada por nada menos do que cinco compositores: Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20, Sidney Sã e Claudinho.
No último dia 27, jornalistas e agentes de viagens do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais misturaram sotaques para cantar com o Salgueiro. O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes anima o Mestre Louro, 52 anos, o ''comandante'' da bateria que está sempre entre as grandes do Rio. Numa sala com as paredes cheias de fotos de outros carnavais, Mestre Louro explica por que a bateria do Salgueiro é sempre aguardada: ''A diferença está no timbre'' diz e chama a atenção para o toque dos ''surdos de terceira e dos tamborins''. Ele mantém segredo sobre as novidades para o carnaval, mas promete ''paradinhas de tirar fôlego''. Um sonho? ''Repetir o sucesso de 'Explode Coração'', samba que levou escola à glória em 1975.
Enquanto movimenta-se no QG da bateria, Mestre Louro conta que seu aniversário - comemorado na última sexta-feira - sempre garante clima de festa no Salgueiro apesar de coincidir com Finados. Na quadra, grupos musicais esquentam o ambiente e os sambistas exibem performances que mexem com a emoção do público. Impossível não se contagiar vendo os movimentos dos pés, pernas e quadris dos integrantes da nação do samba. Quando parte da bateria chega à quadra é difícil ficar parado: quem samba se esbalda, quem não sabe se arrisca. Exímios passistas abrem a roda para quem quiser tentar. Entre sacolejos e passos vacilantes todos se salvam. Os turistas sabem que nos domínios dos bambas só não vale ficar parado.
As cores do Salgueiro, branco e vermelho, também são as cores da TAM. No carnaval, os funcionários da companhia aérea, que este ano patrocina a escola, vão entrar no Sambódromo formando um tapete vermelho para evoluir em coreografias bem marcadas. Todas as alas já ensaiam vôos, com movimentos de mãos, mergulhos de braços no ar, decolagens simuladas com levantamento de troncos e cabeças.
Com 4.700 componentes, a escola quer manter a tradição de se colocar entre as melhores. Em 2000, foi a campeã, em 2001, o mestre-sala Ronaldinho e a porta-bandeira Marcella Alves também conquistaram mais um título. Para 2002, a vibração do Salgueiro deve levar o público ao delírio, repetindo as façanhas que, desde 1927, ano de sua fundação, a colocam entre as grandes do samba carioca.

A jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite da TAM.

mockup