Salgado ganha prêmio na Espanha
Salgado
ganha prêmio
na Espanha
France Presse
O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, um clássico do documentário e do fotojornalismo, ganhou ontem o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes de 1998, considerado o mais importante da Espanha, anunciou o júri em Oviedo (Norte).
Salgado, de 54 anos, que ao ganhar o prêmio se encontrava na China fazendo uma reportagem, derrotou por ampla maioria, na votação final do júri, o arquiteto Santiago Calatrava e o compositor Cristóbal Haloffter.
A candidatura de Salgado foi proposta pelo violinista Yehudi Menuhin, que viu nele o artista que melhor retratou a condição humana neste século. Segundo a ata do júri, Sebastião Salgado foi, ainda, premiado por ter sabido evidenciar as desigualdades do mundo atual com uma linguagem plástica pessoal, profunda, poética e de alta qualidade formal.
Nascido em fevereiro de 1944 em Aimorés, no Estado de Minas Gerais, Sebastião Salgado se formou em Ciências Econômicas e começou trabalhando no Ministério da Fazenda do Brasil. Em 1971, mudou-se para Londres, onde trabalhou durante dois anos como economista na Organização Internacional do Café.
Após abandonar suas ocupações anteriores pra dedicar-se exclusivamente à fotografia, publicou em 1973 suas primeiras obras sobre a África e trabalhou posteriormente para grandes agências internacionais como Sygma, Gamma e, desde 1979, para a mítica Magnum. Atualmente reside em Paris.
Muitas de suas fotografias deram a volta ao mundo, como as realizadas entre 1977 e 1984 sobre as condições de vida e a resistência cultural dos descendentes dos índios na América Latina.
As que publicou em 1984 e 1985 sobre a fome e a seca lhe valeram o prêmio World Press Photo em 1985. Três anos mais tarde, ganhou o prêmio Rei de Espanha por uma reportagem sobre os garimpeiros brasileiros.
Em 1993, apresentou, em uma exposição itinerante que percorreu o mundo durante dois anos, 43 trabalhos realizados na América, Europa, África e Ásia e que reuniam mais de 250 imagens selecionadas entre um total de 100 mil.
Entre suas outras obras, destacam-se reportagens sobre os poços de petróleo incendiados pelas tropas iraquianas no Kuwait em 1991, sobre um gigantesco cemitério de embarcações em Bangladesh, ou sobre as mulheres do Afeganistão, marginalizadas sob o regime dos talibans.
Sebastião Salgado é o primeiro fotógrafo a ganhar o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes nos 18 anos de história deste prêmio e o segundo brasileiro depois do arquiteto Oscar Niemeyer em 1989.
O prêmio, dotado com cinco milhões de pesetas (35 mil dólares) e uma estatueta desenhada por Miró, lhe será entregue pelo príncipe Felipe, o herdeiro da Coroa da Espanha, durante uma cerimônia no próximo outono (boreal) em Oviedo, capital de Astúrias.
O Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes recompensa anualmente a pessoa, grupo de trabalho ou instituição cujo trabalho nos campos da arquitetura, cinematografia, dança, escultura, música e demais expressões artísticas constitua uma contribuição significativa ao patrimônio cultural.
O júri teve de escolher este ano entre 59 candidaturas procedentes de 22 países. Nos anos anteriores, foram premiados, entre outros, o ator italiano Vittorio Gassman (1997), o compositor espanhol Joaquin Rodrigo (1996) e o pintor chileno Roberto Matta (1992).
O Prêmio Príncipe de Astúrias conta com outras sete categorias: Comunicação e Humanidades, Letras, Pesquisa Científica e Técnica, Ciências Sociais, Cooperação Internacional, Concórdia e Desportes.
O prêmio de Comunicação e Humanidades foi concedido na semana passada ao alemão Reinhard Mohn, fundador do grupo de comunicação Beltersmann. Os outros prêmios serão atribuídos ao longo da primavera, com exceção do prêmio de Esportes, que será atribuído em setembro.





