Escola Estadual Tiradentes, Vila Recreio, área central de Londrina. Cerca de 200 alunos, oito turmas, média de 25 estudantes por sala; a turma mais numerosa contabiliza 33 estudantes. Colégio Nilo Peçanha, Vila Nova, também no centro de Londrina. Mil e duzentos alunos, 26 turmas, além de duas salas especiais. Média de 42 alunos por turma, chegando a 48 em uma sala de aula. O ensino em salas numerosas é um dos muitos desafios enfrentados cotidianamente por professores e equipe pedagógica. Administrar a indisciplina é a maior dificuldade apontada por professores que lecionam em salas lotadas. ''Os alunos se dispersam com facilidade, o rendimento não é o mesmo, e, infelizmente não conseguimos atender a todos da mesma maneira'', comenta a professora de Biologia, Maria de Fátima Garla Sella. ''Há muita conversa paralela, e não dá tempo de se aproximar de todos os alunos'', corrobora o professor de Matemática Márcio Alexandre Volpato. ''É muito difícil porque a sala é heterogênea e o tempo é curto para atender as particularidades de todos'', acrescenta a professora de Língua Portuguesa, Silvana Araújo Silva.
Segundo a diretora-geral do Colégio Nilo Peçanha, Albina Kawano, o apoio da comunidade escolar é importante para lidar com esta realidade. ''Temos contato permanente com os pais dos alunos para discutir questões relacionadas a disciplina e rendimento escolar. A equipe pedagógica circula pelos corredores exercendo também a função de inspeção. Temos muitos alunos que estudam aqui desde as primeiras séries. Isso é importante porque eles se comprometem com a escola'', enumera. De acordo com Albina, o colégio chega a ter vagas disputadas devido à sua boa localização, tranquilidade e qualidade de ensino. ''Nossos índices de evasão e repetência são baixos. Mesmo assim, o rendimento poderia ser melhor caso trabalhássemos com menor número de alunos'', reconhece.
Aos professores, cabe o desafio de aplicar diferentes metodologias para que seja realizado um bom trabalho pedagógico. ''Elaboro atividades interativas, com jogos e experiências em laboratórios para chamar a atenção dos alunos'', afirma Maria de Fátima. ''A aula não pode ser tradicional. Utilizo a TV e recursos de informática para ensinar'', acrescenta Márcio. ''Procuro observar o que está chamando a atenção dos alunos e desenvolvo atividades inseridas no contexto deles. Também valorizo o que ele faz, atribuindo visto e nota às atividades'', relata Silvana.
Embora os alunos reconheçam a dificuldade para os professores administrar uma sala lotada, a situação não interfere no aprendizado, avaliam alguns. ''Eu prefiro estudar em salas numerosas. Não há 'panelinhas'. Escolas com menos alunos também enfrentam o problema da indisciplina. Mesmo com bagunça consigo prestar atenção à aula'', opina Rafael Filipe Dalben, 13 anos. ''Para mim é normal estudar em salas lotadas. Creio que a quantidade não influencia no aproveitamento pedagógico'', avalia Natália Carraro, 14 anos. ''Embora considere a situação normal, creio que a bagunça ganha proporções maiores em uma sala de aula numerosa e atrapalha a nossa concentração. Alguns professores conseguem lidar bem com isso; outros já chegam gritando. O ensino daqui é bom, mas alguns alunos não dão valor'', critica Amariliz Manoela Marques Luiz, 13 anos.
Escola Estadual Tiradentes
Conteúdos melhor trabalhados e cumplicidade entre mestre e aluno. Estas são as principais vantagens apontadas pelos professores da Escola Estadual Tiradentes, cuja média é de 25 estudantes por sala. Segundo o diretor, Cícero da Silva, o baixo número de crianças residindo na bairro (Vila Recreio) e a existência de várias escolas no entorno explicam, em parte, o reduzido número de alunos que estudam no estabelecimento. Outro motivo, este triste, é a alta rotatividade devido ao histórico de violência vivido por muitos alunos. ''Há casos de estudantes que precisaram sair do colégio porque a família estava ameaçada por envolvimento em crimes e tráfico de drogas. Há algum tempo perdemos quatro alunos de uma mesma família por causa desta situação'', lamenta.
Diante disso, o professor não pode ser ''um mero repassador de conhecimento; o aluno passa a ter nome; não é apenas um número na chamada'' enfatiza o professor de Ciências, Fernando Fiorin. De acordo com a professora de História e Ensino Religioso, Neiva Alves Ferreira, é fundamental que o professor conheça a história de vida do aluno para que a educação faça sentido em sua vida. ''Todos conhecem uma história de violência e são muito carentes. Se estabelecemos uma relação de confiança, o aluno firma uma relação de amizade que extrapola os muros da escola. Como são crianças em situação de risco, a observação é fundamental para anteciparmos um acontecimento e tentar revertê-lo'', defende a professora.
Kauane Karen dos Santos, 12 anos, já estudou em escola com salas numerosas e considera a situação atual melhor. ''Aprendo mais porque os professores têm mais condições de perceber as nossas dificuldades'', assinala. Welington Willian Lopes Pereira, 14 anos, destaca a facilidade de contato entre professor e aluno e o melhor aproveitamento do conteúdo, embora reconheça que, mesmo em turmas pequenas, existe o problema da indisciplina. Já Juliana Caroline dos Santos Teixeira, 12 anos, não gosta de estudar em sala com poucos alunos. ''Não temos a oportunidade de conhecer muitas pessoas'', comenta.

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