Salão Paranaense premia cinco artistas
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quarta-feira, 06 de novembro de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cinco artistas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro foram premiados no 59º Salão Paranaense, uma das mais antigas e importantes exposições do País, promovida pelo Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Paraná. Cada artista receberá R$ 5 mil. A comissão de seleção propôs, ainda, menção especial para outros dois trabalhos de artistas de São Paulo e Rio Grande do Sul. Para os jurados, nenhum dos trabalhos teve grande destaque, por isso a decisão de não estabelecer hierarquia na premiação.
O 59º Salão Paranaense recebeu 540 inscrições, mas apenas 60 trabalhos de 29 artistas passaram pelo crivo da comissão. As obras selecionadas ficarão expostas no MAC a partir do dia 17 dezembro, quando será oficialmente aberto o Salão. Entre os trabalhos estão instalações, vídeos, fotografias, pinturas, desenhos, objetos e gravuras. A exposição se estenderá até o final de fevereiro. Uma obra de cada artista premiado foi escolhida pelo júri para fazer parte do acervo do MAC.
Participaram da comissão de seleção este ano a jornalista e coordenadora de Artes Plásticas da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife (PE), Cristiana Tejo, o artista plástico e crítico, Jailton Moreira, de Porto Alegre (RS), e a museóloga e gestora de projetos culturais, Maria Eugênia Saturni.
A única paranaense premiada, Marga Puntel, apresentou trabalho em fotografia em que uma figura feminina e a natureza vão se fundindo. ''É algo que lembra Monet, por exemplo, mas com uma solução contemporânea'', elogiou Maria Eugênia.
Mercedes Barros, do Rio de Janeiro, usando fragmentos de vários filmes, retratou em uma montagem o circuito da arte. Essa também foi a inspiração de Rachel Korman, também do Rio de Janeiro, que expôs em fotografia um registro das obras de Cindi Sherman. Renata Lucas, de São Paulo, usou uma prateleira metálica, onde objetos se fundem e vão configurando outros configurando outros objetos sólidos, conforme analisou Moreira. Também premiado, Eduardo Srur apresentou uma espécie de instalação usando duas barras, que batizou de ''Acampamento dos Anjos''.
Os trabalhos que mereceram menção especial foram de Ricardo Mello, do Rio Grande do Sul uma instalação que lembrou um sistema de segurança , e de Letícia Cardoso, de Santa Catarina. Ela apresentou um ensaio fotográfico do cotidiano. Nesse trabalho, avaliou Maria Eugênia, ''o que é infinitamente insignificante toma outra dimensão quando comparado a outras coisas''.
A comissão confessou ter tido dificuldade em selecionar os trabalhos, já que mais da metade não se encaixavam na produção contemporânea. ''Para um salão, a gente arrisca, aposta na prospecção. Não é para reafirmar o que já foi visto e revisto'', declarou Moreira, referindo-se a trabalhos que, de certa forma, retratavam movimentos passados, como o impressionismo, sem apresentar uma proposta nova. ''A arte tem que buscar a linguagem do seu tempo'', acrescentou Maria Eugênia, lembrando que a comissão privilegiou os trabalhos que apresentaram qualidade e poética.


