São Paulo, 27 (AE) - O Salão Internacional do Livro, em curso no centro de exposições Expo Center Norte, em São Paulo, vive um dilema: não tem como divulgar estatísticas, por decisão dos diretores da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Mas sua recusa em mostrar os números do desempenho comercial e de público do salão pode parecer receio da comparação com a Bienal Internacional do Livro do Rio - evento rival da feira paulistana.
O Rio divulgou que, a uma semana do seu encerramento, já ultrapassou a sua meta inicial de visitantes: cerca de meio milhão de pessoas. O Salão do Livro de São Paulo teve um desempenho tímido no seu início, quando abriu exclusivamente para livreiros. A visitação melhorou no fim de semana - só de escolas, esperava-se 400 mil estudantes. Mas a divulgação parece estar sendo evitada justamente para que os antigos diretores da CBL não fiquem desmoralizados, caso os números sejam discrepantes. Afinal, somente no ano passado, a antiga diretoria divulgou que a feira (então Bienal do Livro) teria sido visitada por 1,4 milhão de pessoas.
A programação do salão, no entanto, reserva bons encontros, principalmente no fim de semana. Amanhã (28), o Salão de Idéias (evento cultural paralelo) promove a seguinte conferência, às 16 horas, "Drogas: Desvio, Vício e Recuperação", com os especialistas Içami Tiba, João Meirelles e Myltainho Severiano. À noite, às 19h30, o tema é "Educação: Formação Profissional e Formação Humanística", com Maria Alice Setúbal e Moacir Gadotti.
Quinta-feira, às 16 horas, um tema especial: "A Importância de Ler os Clássicos". Estarão debatendo os autores João Alexandre Barbosa, Patrícia Melo (de Acqua Toffana e Elogio da Mentira) e Otaviano de Fiori. À noite, Márcio Souza (Galvez, O Imperador do Acre), Rodrigo Montoya e Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho) debatem "Literatura e História". Na sexta-feira, o repórter Caco Barcellos, mais Valdemar Augusto Angerami-Camon e Edson Passetti discutem "Juventude e Violência", às 16 horas.
Mas o filé mignon do salão está no sábado, às 19h30. Os poetas Augusto de Campos, Arnaldo Antunes, Décio Pignatari, Haroldo de Campos e outros lêem os poemas do CD "Ouvindo Oswald", que a Funarte estará lançando no salão. No CD, com duração de apenas 13 minutos, está o único registro sonoro de Oswald de Andrade declamando os versos com os quais balançou o País na década de 20.
A gravação de Oswald foi feita num gravador de rolo nos últimos anos de vida do artista, morto em 1954. A fita foi resgatada por Rudá de Andrade, filho de Oswald com a escritora Patrícia Galvão, e entregue a Augusto de Campos, que tinha planejado lançar o CD na Bienal Internacional de São Paulo do ano passado. O tema da bienal era justamente a antropofagia.
A tiragem inicial do CD é de apenas mil cópias e ele estará à venda nos estandes do salão. É uma ocasião única para comprar, porque não estará nas lojas. O CD tem 45 minutos de leitura de poemas de Oswald, com seleção de Augusto de Campos. Há trechos do Manifesto da Poesia Pau-Brasil e do Manifesto Antropófago.
Arnaldo Antunes lê os poemas "A Descoberta", "Os Selvagens", "As Meninas da Gare" e "Primeiro Chá". Augusto de Campos lê "Ditirambo", "Procissão do Enterro", "Longo da Linha" e "Noturno", entre outros. (J.M.)

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