Paris -O primeiro-ministro francês Jean Pierre Raffarin inaugurou na quinta-feira o Salão do Livro de Paris (aberto até quarta-feira) lamentando ''a realidade de uma guerra (contra o Iraque) que a França não endossou, depois de tudo fazer para evitá-la'', e sublinhando o papel do livro ''como símbolo da tolerância, do intercâmbio de culturas e da paz''.
Em sua 23 edição e tendo a Holanda como o país convidado de honra, o salão reúne no Parque de Exposições da Ponte de Versailles (próximo do bairro de Montparnasse), 1.250 editores e 1.800 escritores de cerca de 40 nações. É considerado o segundo maior da Europa em termos de público, após o de Frankfurt. Recebe anualmente entre 300 e 500 mil visitantes.
Este ano, por causa da guerra e do receio de atentados, há o temor de que a frequência do público sofra baixa, com a consequente retração na venda de livros. Os especialistas prevêem uma maior concentração da demanda nas edições sobre questões políticas, militares, diplomáticas, geoestratégicas, haja vista a preocupação reinante com a atualidade internacional.
Entre os poucos lançamentos de traduções brasileiras para o salão está ''Cidade de Deus'', de Paulo Lins. Publicado pela Gallimard, com tradução do brasilianista Henri Raillard, o livro tende a ser favorecido na sua ''carreira'' comercial, pelo filme dele extraído pelo diretor Fernando Meirelles e agora em cartaz na França.
Destacam-se ainda na reduzida faixa de novidades brasileiras o romance de Bernardo Carvalho, ''Iniciais'' (Editora Rivages), ''Correspondência'' (Seuil), de Caio Fernando Abreu, e a biografia de Dilermando de Assis (que matou Euclides da Cunha) com o título ''Pai'', por sua filha Dirce Cavalcanti.
Também estão sendo lançados no salão dois livros sobre temas brasileiros, mas ainda não traduzidos para o português: ''Cinema e Literatura no Brasil'' (Harmattan), da francesa Sylvie Debs, e ''Cozinha Brasileira na França'' (Actes Sud) das paulistas Clélia Pisa e Maria José Garcia Werebe.
Nenhum escritor brasileiro foi convidado para esta edição. Nela, a participação institucional do Brasil se resume ao modesto estande da Fundação da Biblioteca Nacional, representada pelo seu presidente, Pedro Corrêa do Lago. Falando à reportagem, ele assegurou que, no próximo ano, o Brasil ocupará maior espaço no salão, com a presença de outras instituições nacionais, editores e escritores. Nessa perspectiva, espera aumentar o apoio financeiro ao programa de traduções de autores brasileiros para o francês.

mockup