Salada de ritmos
Arquivo FolhaAndré Abujamra, líder do Karnak: por trás do aparente balaio-de-gatos musical, muita pesquisa e intuiçãoSALADA DE RITMOS
O Grupo Karnak mostra hoje em Londrina o show Moro no Brasil que mistura bom humor com sonoridades de diversos países
Ranulfo Pedreiro
Após uma vinheta em árabe, um naipe de cordas embasa uma ópera cantada em russo, interrompida por arranjos de guitarra com levadas caribenhas e escalas orientais. Quando o ouvinte começa a ter certeza que está maluco, entra um vocal em estilo romântico: Alma não tem cor/ Porque eu sou Jorge Mautner/ Percebam que a alma não tem cor/ Ela é colorida.
A abertura da primeira faixa do disco de estréia da banda Karnak, que se apresenta hoje, no Cabaré do Filo, não é nada convencional. Como o próprio grupo que, tempos atrás, tinha um cachorro na formação. Esses fatos insólitos têm um organizador: o instrumentista e compositor André Abujamra, que num passado de boa cepa rendeu Os Mulheres Negras, ao lado de Maurício Pereira.
Ambos abriram caminhos que resultaram numa vertente inclassificável da música brasileira. O fim do duo não alterou os rumos. Maurício continua driblando o óbvio e Abujamra montou o elogiado Karnak - que até ensaiou um sucesso com Tô Voando.
Por trás do aparente balaio-de-gatos musical e temático, há pesquisas e muita intuição. André Abujamra é um bom músico que há tempos vem mostrando criatividade. Assessorado por um conjunto de primeira linha, vem desenvolvendo um trabalho que já faturou alguns prêmios da crítica especializada - como o APCA de melhor grupo em 1995 -, mas que ainda não é familiar do grande público.
O Karnak surgiu durante uma visita de Abujamra ao Egito. Além de contemplar ruínas e templos, o compositor atentou para a musicalidade da região - e de outros lugares do mundo -, auxiliado por um gravador. O resultado ampliou a mescla de ritmos que André já desenvolvia com Os Mulheres Negras. O disco de lançamento contou com a participação de músicos como Skowa, Chico César, Natan Marques, Rolando Boldrin, Lulu Santos, Paulinho Moska, Toninho Ferraguti, Paulo Miklos, Tom Zé e artistas como Antonio Abujamra e Marisa Orth.
No caldeirão sonoro do grupo tudo é possível e muita coisa dá certo, mesmo que o sentido fique em segundo plano. O Karnak refuta o rótulo world music preferindo o de música pop temperada com muito bom humor. A banda já esteve em Londrina apresentando-se em uma festa à fantasia, e deve engrossar a lista de bons shows do Filo.
Moro no Brasil - Show com o Karnak. Hoje, a partir das 23 horas, no Cabaré do Filo (Rua Taubaté, 170, antiga Londrimalhas). Ingressos individuais a R$ 10,00 (Estudantes, idosos, funcionários da UEL e usuários da Tim Telepar que apresentarem uma fatura telefônica terão desconto de 50%). Mesas a R$ 100,00. Ponto de vendas: Casa de Cultura (Praça 1º de Maio, 118.) Mais informações pelo telefone (043) 322-1030. O Cabaré abre suas portas às 21 horas.





