Se no início o cinema era um ponto de encontro para a sociedade londrinense, com a chegada da televisão, a outrora indispensável sala escura começou a perder telespectadores. Mas isso não aconteceu de forma fulminante, pelo contrário, ainda durante os anos de 1970, a cidade viu novas e pioneiras telas serem iluminadas.
Em 1963, ano da instalação da primeira emissora de TV em Londrina, a cidade ganhou o Cine Augustus, primeiro do país com projeção em 70mm - Todd AO. O cinema na cidade atingia novamente seu auge, já vivenciado há apenas dez anos com a inauguração do Ouro Verde. Na mesma época, a Vila Nova ganhava o seu Cine Espacial, com proposta mais popular e criado com a intenção de atender a uma população específica.
Mas foi nos dois últimos anos da década de 1960 que Londrina viu nascer a maior tela que a cidade já viu, o Cinerama. A proposta foi inicialmente oferecida ao Ouro Verde, mas a arquitetura do cinema não comportava a tela de 23 metros de comprimento por 9,5 metros de altura distribuídos numa curvatura de 146 graus. Para tamanho espetáculo foi escolhido o Cine Londrina, fundado em 1946, mas que em 1954 já havia sofrido intervenções, ganhando uma tela em ''Cinemascope'', que refletia os filmes como vemos hoje, de forma panorâmica.
A estréia ocorreu em 7 de fevereiro de 1968, depois de uma série de reformas que instalou não apenas a supertela, mas deu ao cinema, que chegava a acomodar até duas mil pessoas em seus áureos anos, novas poltronas estofadas e carpete branco e fofo nas saídas laterais. ''Londrina foi a terceira cidade do País a receber o Cinerama. Só perdeu para São Paulo e Rio de Janeiro'', apontou o poeta e cinéfilo Carlos Ribeiro, autor de ''Projeções em cinerama e 70mm em Londrina'', uma espécie de manifesto de produção independente, que pretende registrar os grandes momentos da tela londrinense.
O trabalho é resultado de uma pesquisa guiada pelo saudosismo e pela vontade de registrar esse pedaço do passado que o londrinense teima em esquecer. ''Muito se fala do Ouro Verde. Mas o centro da cidade contava também com outras excelentes salas, equiparadas com o que de melhor havia no mundo'', afirmou Ribeiro.
O poeta lembrou ainda que pouco mais de um mês antes da abertura do Cinerama, foi inaugurado na avenida Rio de Janeiro o Cine Vila Rica. Com capacidade para 1.100 pessoas, o cinema se destacava pela alta qualidade de som e imagem, além da requintada decoração.
Nesse cenário, o Cinerama fechou suas portas em 1974, o Augustus foi transformado em loja de departamentos em 1981, o Ouro Verde é comprado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e se transforma também em teatro e o Vila Rica resiste, sendo dividido em dois, em 1983, gerando o terceiro Cine Londrina da história. Ambos resistem ainda por duas décadas, em meio a grandes sucessos como Dirty Dance, talvez o filme que mais tempo ficou em cartaz na cidade. Mas a era dos multiplexes seria fatal para as salas do Centro, e o Vila Rica teve seu projetor apagado em 2001, depois de mais de 30 anos de sucessos.(Colaborou com a pesquisa e entrevistas para esta reportagem a jornalista Carina Dias de Freitas)

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