A manhã do dia três de março de 2008 foi de surpresa, horror e medo para os funcionários e alunos do Colégio Estadual Professora Olympia Moraes de Tormenta, no Conjunto Semíramis Braga (Zona Norte de Londrina). Professores que chegaram na segunda-feira para trabalhar depararam-se com a sala deles destruída pelo fogo e ameaças escritas nas portas dos armários. Segundo a diretora-auxiliar, Maria do Carmo Ambrózio, o ato foi realizado por um grupo de quatro alunos que não frequentava as aulas, mas adentrava no colégio para roubar lanche e boné dos alunos, além de vender drogas. O último ato de vandalismo do colégio ocorreu no final de setembro, durante a Semana Cultural. Cinquenta vidros foram quebrados causando um prejuízo de mais de R$ 4 mil, entre troca dos vidros e colocação de grades de proteção nas janelas. Recentemente, a escola também precisou trocar as fechaduras das portas das salas porque os alunos as ''entupiam'' com pedaços de clips.
De acordo com a diretora, a relação dos alunos com o patrimônio escolar começou a mudar depois que especialistas orientaram os professores sobre como agir quando flagram atos de vandalismo praticados por estudantes. ''Enfatizo que a escola é um patrimônio público e todos nós arcamos com o vandalismo pagando os impostos'', comenta a professora de Geografia Angélica Domingues. Triste e assustado por ter perdido todo o material didático durante o incêndio na sala dos docentes, o professor de História Fernando Gouveira se surpreendeu com a apatia dos alunos diante dos acontecimentos. ''A maioria tratou o fato como algo que não tinha relação com eles, como se fosse normal colocar fogo em uma sala, destruir uma cadeira, riscar parede. Os jovens perderam a noção de preservação do bem público. Como não têm limites, acham que podem fazer tudo o que desejam; assinar nos objetos é sinal de status, necessidade de auto-afirmação'', analisa.
Henrique Simão, 11 anos, confessa que já rabiscou a carteira mas assegura estar consciente dos danos provocados pelo vandalismo. ''Zelar pela escola é um dever de todos'', afirma. Gabriel José de Moura, 11 anos, diz também já ter rabiscado a carteira. ''Não ligo muito para a preservação da escola, embora os professores digam que o vandalismo causa prejuízos a todos'', confessa. Pâmela de Castro e Souza, 10 anos, afirma ter ficado receosa de ir à escola após os atos de vandalismo. ''Fiquei com medo que incendiassem a sala'', conta. Segundo a aluna, embora a maioria dos colegas tenham lamentado o fato, alguns comentaram que com o incêndio da sala os professores ficariam impossibilitados de aplicar as provas. (C.V.)

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