Luxo, calma e voluptuosidade - e mais um pouco de melodrama compareceram no último desfile de Yves Saint Laurent, realizado anteontem em Paris, no Centre Georges Pompidou.
Com o desfile, o maior nome da moda encerrou oficialmente 40 anos de carreira, deu um basta às pressões de mercado e da história sobre sua criação e marcou simbolicamente sua incompatibilidade com o gosto atual. ‘‘Nós vivemos num mundo de desordem e decadência. Este combate pela elegância e a beleza me causava muita tristeza’’, ele declarou em rara entrevista ao ‘‘Le Monde’’.
A festa reuniu 2.000 convidados no andar térreo do museu de arte moderna e levou à praça em frente o mesmo tanto de pessoas, que assistiu a tudo em dois telões, durante mais de uma hora e meia.
Nenhum dispositivo de segurança foi montado para receber as celebridades. Lauren Bacall, Jeanne Moreau, Catherine Deneuve e Paloma Picasso estavam entre os convidados.
Às 19 horas, começou o desfile, com quase cem modelos apresentando 300 vestidos que marcaram a alta-costura de Saint Laurent, desde 1962. A retrospectiva não seguiu a ordem cronológica, misturando as coleções históricas e 40 novos modelos, como se quisesse marcar a perenidade de sua criação, que soube reunir o clássico e o moderno, o chique e o pop.
Ao final, uma surpresa: Deneuve sobe na passarela e canta ‘‘Minha Mais Bela História de Amor É Voc꒒, da cantora Barbara. A atriz não segurou as lágrimas.
Na rua, a técnica em informática Martine Zana também ficou com os olhos úmidos. ‘‘É como um pintor que parasse de pintar.’’
A despedida do costureiro, anunciada no último dia 7, está mexendo com os brios da França, até hoje a capital imbatível da moda. Sua última apresentação ocorreu dentro dos desfiles de alta-costura da temporada primavera-verão 2002, que apresentou coleções de Karl Lagerfeld, Jean Paul Gautier e outros. Lagerfeld, da Chanel, declarou que a decisão de Saint Laurent não terá ‘‘nenhuma repercussão sobre qualquer pessoa’’. Para o presidente da maison Jean Paul Gaultier, Donald Potard, é ‘‘o fim de um mundo, mas não o fim do mundo’’.
A alta-costura é ainda criada por 21 grifes na França. Segundo o ‘‘Monde’’, a confecção de um vestido exclusivo toma 200 horas de trabalho. Seu preço oscila entre 15 mil e 30 mil euros (cerca de R$ 31 mil a R$ 62 mil). A produção tem hoje cerca de 200 clientes no mundo e é uma vitrine para as marcas.
A casa de alta-costura Saint Laurent será fechada. Mas o prêt-à-porter, que é a produção industrial, continuará a ser desenhado por Tom Ford para a marca Saint Laurent, de propriedade da empresa dona da grife italiana Gucci.

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