Saint Laurent despede-se da moda
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terça-feira, 08 de janeiro de 2002
Dominique Ageorges 
PARIS - Yves Saint-Laurent, que anunciou ontem em Paris sua aposentadoria da alta-costura, é um dos grandes estilistas do século XX, junto com Dior e Chanel.
Desde sua chegada a Paris em 1953 e seu primeiro desfile na maison Christian Dior em 1958, e depois com seu próprio nome a partir de 1962, Saint Laurent teve uma trajetória excepcional, marcada pela elegância.
Yves Mathieu Saint Laurent nasceu no dia 1º de agosto de 1936 em Orã, Argélia, onde fez o segundo grau. Tinha 17 anos quando chegou a Paris, em 1953, e mostrou seus croquis a Michel de Brunhoff, diretor da revista Vogue, que lhe apresentou pouco depois a Christian Dior. A morte do mestre em outubro de 1957, alçou Saint Laurent do posto de assistente para diretor artístico da maison Dior.
Já desde seu primeiro desfile, no dia 30 de janeiro de 1958, as clientes e a imprensa manifestaram adoração pelo então jovem de 21 anos, alto e tímido, protegido por um grande par de óculos.
Sua linha trapézio, em ruptura com as cinturas marcadas da época, foi recebida triunfalmente. Em 1960, Yves Saint Laurent se afastou temporariamente da moda para cumprir serviço militar, mas foi rapidamente dispensado devido a problemas de saúde.
Entretanto, a maison Dior já tinha substituído o estilista pelo jovem Marc Bohan. Saint Laurent processou a casa e decidiu finalmente montar sua própria grife, com ajuda de outro jovem, que desempenharia papel fundamental na empreitada, Pierre Bergé, que continua presidente da alta-costura com sua marca até hoje.
Juntos, cada um em seu setor - Saint Laurent no da criação e Bergé no da administração - montaram um império.
Herdeiro de um estilo sóbrio, o estilista, para quem o preto é uma proteção, tornou-se o mestre indiscutível da cor, manejando com sutileza a harmonia cromática, tão famosa em sua grife. Já dedicou coleções a pintores como Mondrian (1965), Picasso (1979), Matisse (1981), Van Gogh (1988), etc.
De acordo com as palavras de Pierre Bergé, Chanel libertou as mulheres e Saint Laurent lhes deu o poder com peças de homem que se tornaram a base do guarda-roupa feminino. Assim foi com o smoking, o terninho com pantalona e outros clássicos, como blusas transparentes, que escandalizaram na sua época.
Em 1971, sua coleção 40, inspirada na roupa da última guerra mundial, causou também escândalo, mas foi o maior sucesso comercial da empresa. As coleções da África e Rússia deram sequência à sua produção.
No mesmo ano, o estilista posou nu para um anúncio do lançamento do seu perfume Homme. Seis anos depois, o nome de uma nova fragância da grife, Opium, referindo-se ao mundo das drogas, causou outro escândalo, mas vendeu milhões.
Temporada após temporada, o estilista foi reiventando sua linguagem com blazers estreitos, saias irregulares, jumpsuits, chemisiers e terninhos modernos.
Ele se define como fornecedor de sonhos e de beleza, vive com medo de decepcionar e para se explicar cita Proust, seu autor favorito: todo homem de amor é um homem de dor.
Ao longo de toda sua obra, Yves Saint Laurent mostrou sua paixão pelo teatro, desenhando cenários e vestuários para espetáculos de Edmond Rostand, Marguerite Duras, Jean Cocteau ou Roland Petit.
Visitou Arletty, Madeleine Renaud, Zizi Jeanmaire. No cimena, suas heroínas se chamam Claudia Cardinale, Annie Duperey e principalmente Catherine Deneuve, por quem nutre uma grande amizade.
Ele já recebeu homenagens no mundo inteiro, como em 1983 no Metropolitan Museum of Art de Nueva York, e vários prêmios também, como o Internacional do Council of fashion Designers of America (CFDA) e o Oscar da Moda pelo conjunto de sua obra.


