Saindo do armário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de maio de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Difícil separar a história pessoal do diretor turco Ferzan Ozpetek com a de seu último filme a dramédia italiana O Primeiro que Disse (Mine Vaganti, 2010), que estreia hoje no Cine Com-Tour/UEL. Radicado na Itália, o cineasta, que é militante dos direitos gays, deve ter convivido de perto com a intolerância e o tradicionalismo presentes no sul do país; mas isso não o impede de tirar sarro disso.
Herdeiro de uma tradicional família de Lecce, cidade histórica no sul da Itália, o protagonista Tommaso Cantone (Riccardo Scamarcio) está cansado de viver escondendo sua verdadeira personalidade. Morando sozinho na capital, Roma, ele largou a faculdade de economia e escolheu viver a vida como um romancista.
Em uma viagem para a casa dos pais, ele toma a decisão de revelar sua verdadeira sexualidade e seu novo modo de vida, independente das consequências. Até aí tudo bem. O problema é que, no meio do jantar familiar, o seu irmão mais velho Antonio (Alessandro Preziosi) sai do armário antes, causando revolta e espanto de seus pais.
Preso em uma situação difícil, Tommaso se vê obrigado a assumir o papel de homem da casa depois que seu irmão mais velho é renegado da família, e precisa reconciliar todos, ao mesmo tempo em que deseja revelar o seu segredo; tudo isto se complica ainda mais quando alguns amigos esquisitos do personagem chegam, diretamente de Roma, para fazer uma visita surpresa.
Sem nunca perder o humor, a comédia O Primeiro que Disse expõe, de forma sutil, a crítica social que o diretor Ferzan Ozpetek estrangeiro e gay sempre buscou exibir em seus filmes. Assim, o cineasta consegue transformar o seu novo longa em um belo exemplo do verdadeiro cinema italiano: reconhecido sempre como sendo uma ferramenta de crítica e contestação dos costumes.


