'Saia Justa' traz mulheres sem papas na língua
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sexta-feira, 19 de abril de 2002
Etienne Jacintho<br> Agência Estado 
O Saia Justa, programa do canal por assinatura GNT que estreou na quarta-feira, é um grande tricô entre amigas, como definiu a cantora Rita Lee, uma das participantes do bate-papo, ao lado da atriz Marisa Orth e da escritora Fernanda Young. A jornalista Monica Waldvogel, idealizadora e mediadora da atração, ficou meio apagada ao lado do time de mulheres despachadas e sem freios na língua que, em diversos momentos, espalharam veneno em cruéis comentários.
Como âncora do telejornal Fala Brasil, da Rede Record, Monica Waldvogel manteve sua imparcialidade e sentiu-se numa verdadeira saia-justa ao ouvir as opiniões de suas companheiras sobre política. Apesar do evidente incômodo, a mediadora não censurou ninguém, mas absteve-se de comentários. As ofensivas frases de Rita Lee e Fernanda Young contra Roseana Sarney foram como um chute no estômago da jornalista, que devia estar pensando: Vamos ser processadas...
Mas, tudo bem. O GNT já contava com a espontaneidade das apresentadoras. Quem terá trabalho será o departamento jurídico da emissora, que já foi avisado de que a tarefa é segurar a barra. Afinal, o que segura o programa é a expectativa de ouvir alguma frase inusitada e saber o que existe por trás dos estereótipos das incríveis mulheres. Rita Lee com seu visual Mick Jagger revelou-se fanática por futebol e discutiu o assunto com o comentarista esportivo Armando Nogueira, que telefonou para elogiar o Saia Justa. Quando Fernanda Young arranca suas tatuagens e o visual punk-modernoso cai, o que se vê é uma dedicada mãe e esposa que ainda acha que o fato do marido ganhar um salário menor do que o da mulher causa estranheza.
Arnaldo Jabor cumprimentou as mulheres durante o coquetel de estréia da atração e brincou: O Manhattan Connection que se cuide. Mas Saia Justa não é um Manhattan Connection de batom. O cenário é mais informal, assim como a proposta da atração, que é bem diferente. Não é um programa tão informativo e intelectualizado, mas sim um espaço para que as mulheres possam expressar suas idéias como se estivessem na mesa de um bar ou no sofá de sua casa cercada de amigas.


