São Paulo, 14 (AE) - Nem tudo é desesperança em relação à situação da criança carente do País. Amanhã (15) pela manhã, na Fnac (Praça Omaguás, em Pinheiros), será lançado o primeiro CD do Projeto Guri, programa criado em 1995 e que hoje promove o aprendizado musical de 7.200 crianças no Estado. O projeto Guri custa R$ 18 por criança ou adolescente.
A gravação do CD Ouviram do Ipiranga teve a participação de 360 menores dos pólos Mazzaropi, Indaiatuba e Cubatão (ao todo, são 25 pólos no Estado). A apresentação desta segunda-feira terá como solista o pianista Arthur Moreira Lima. A orquestra e o coral são do pólo Indaiatuba, que executará os hinos nacionais que estão no CD - o Hino Nacional Brasileiro (com o coral de meninos), o Hino da Independência e o Hino da Proclamação da República.
Na gravação, os regentes são Walter Azevedo e Regina Kinjo (Hino Nacional), Samuel Nascimento e Sonia Cardoso Morais (Hino da Independência) e Sérgio Luiz Ribeiro Wisbeck e Fabrício Leonardo Leite ((Hino da Proclamação da República). O CD acompanha o livro homônimo do jornalista Marcelo Duarte, com ilustrações de Daniel Kondo, que conta para crianças a história dos hinos brasileiros. Todas as gravações foram feitas num só dia, durante apresentação dos meninos no Teatro São Pedro, nos Campos Elísios, em setembro.
O Projeto Guri é coordenado por Beth Parro, uma contadora que diz ter tomado gosto pelas causas das crianças carentes no tempo em que foi primeira-dama de Osasco (foi casada com o ex-prefeito Humberto Parro). "Nós descobrimos que a música desenvolve a auto-estima das crianças", diz Beth. Ela recruta os meninos do programa entre os projetos assistenciais do Estado. E conta que, após a primeira rebelião na Febem do Tatuapé, o número de inscritos no projeto cresceu de 300 para 507. "O mais curioso é que nós não os procuramos: eles é que procuram o Guri", afirma.
O Projeto Guri já é bem conhecido, mas sua extensão ainda é pouco compreendida. Começou timidamente, em 1995, na Oficina Amácio Mazzaropi, no Brás, e hoje mobiliza 6.907 garotos com idade entre 8 e 18 anos, em 27 pólos no Estado. Custa ao todo R$ 100 mil mensais ao Estado, mas, até agosto, não havia um único empresário investindo no programa, embora ele seja aprovado por lei de renúncia fiscal e possibilite dedução do investimento no Imposto de Renda (pessoa física também pode investir).
"Muitos encaram como se essa fosse a última oportunidade que têm na vida", conta Beth Parro. Tanto os professores quanto a coordenadora se espantam com pelo menos uma das características do pólo da Febem: os menores (não são todos infratores nem egressos da Febem) aprendem com uma facilidade espantosa. "São os que aprendem primeiro", diz Beth.
Em nenhum dos pólos é exigido que o postulante ao projeto saiba qualquer coisa de música. "Tenho 35 anos de profissão e posso dizer que esse é um dos trabalhos que mais me dá prazer", diz o maestro Walter Azevedo, que regeu o grupo durante a gravação do Hino Nacional. O CD Ouviram do Ipiranga poderá ser adquirido na Fnac e nas principais lojas de discos da cidade e parte da renda vai para a Sociedade Amigos do Projeto Guri.

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