Apesar de sempre abrir espaço para novidades, o cenário gastronômico londrinense continua prestigiando a tradição. Alguns pratos que caíram no gosto do público permanecem como carro-chefe de determinados estabelecimentos da cidade há mais de 50 anos, agradando diversas gerações. Os quibes e esfirras do Kiberama, o filé à parmegiana do Rodeio Restaurante e o comercial do Restaurante Londrinense estão entre os itens apreciados por diversas gerações.
Inaugurado em 1965, o Kiberama apresentou o sabor das arábias aos moradores de Londrina que pertenciam a outras etnias. "Meus avós são descendentes de libaneses e meus pais passaram a comercializar no centro da cidade as mesmas receitas que já eram consumidas em casa. Entre elas estão o quibe cru com coalhada, as esfirras de carne e queijo e os charutos de repolho e uva", afirma Pedro Carlos Dakkache, sócio-proprietário do estabelecimento.
Segundo ele, a culinária árabe teve boa aceitação na cidade desde o início. "Os pratos mais tradicionais foram bem recebidos desde o início e há cerca de 20 anos, quando instalamos o sistema self-service, começamos a introduzir outros itens, como a carne de caneiro", conta, acrescentando que no início o público londrinense tinha um pouco de restrição em relação ao prato, que é servido grelhado. "Mas com o passar dos anos esse tipo de carne passou a ser bastante apreciada. Curioso é que no Líbano a carne de carneiro é mais popular que a de gado, devido ao fato das vacas não sobreviverem nas regiões montanhosas. O grande segredo para garantir o sabor e texturas especiais é consumir apenas novilhas com pouco tempo de vida", afirma.

Sabores que ultrapassam gerações
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Mas as esfirras continuam dominando o gosto dos londrinenses, ainda mais quando o modo de preparo típico é respeitado. "Existem alguns fatores básicos que fazem com que elas tenham um sabor diferenciado. Deve-se usar apenas farinha de trigo selecionada. A massa passa por um processo de maceração feito por máquina elétrica. O recheio deve ser de alta qualidade. A temperatura do forno precisa ser extremamente adequada e elas devem ser consumidas com os acompanhamentos que se harmonizam com a receita, como a coalhada e o homus (pasta de grão de bico)", detalha Dakkache.
Em relação à esfirra de queijo, o comerciante dá uma dica especial. "Utilizar o queijo branco no lugar da muçarela faz toda a diferença. No Líbano nunca se faz esfirra com muçarela, pois o sabor do queijo branco é o que dá destaque à receita", salienta.

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