Acredite, os vinhos podem ter sabores tão diferenciados quanto estranhos. Terra úmida, frutas escuras, café, pêssego, pimenta do reino e banana. E adquirem texturas tão sutis como as aveludadas ou encorpadas. Quem se aprofunda no conhecimento do vinho aprende que ele tem até personalidade. Do contrário, como falar que um vinho é equilibrado? Isso é apenas o começo de uma aprendizagem que, dizem, só acaba quando deixamos de existir. Ou de beber.

Pensando naqueles que apreciam as mil nuances que têm os elixires de Baco, se abriu a Rota do Vinho de Colchagua. É um turismo diferenciado, de excelência. Um mergulho no prazer dessa bebida que é tão antiga como a própria civilização. Pois é.

Restos fósseis de uma espécie vegetal chamada vitis foram encontrados há 50 milhões de anos na Groelândia, França, Inglaterra, América do Norte e Japão. E os antecedentes mais conhecidos sobre a existência do vinho datam de 6 mil anos a.C. Ele sempre foi importante. Lembre que o primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho, e a pedido de sua própria mãe.

No Chile, o vinho aparece em sua história e cultura. As primeiras parreiras foram semeadas antes de 1550. O fundador de Santiago, dom Pedro de Valdivia, fala da existência dos vinhos em cartas enviadas ao rei espanhol em 1551. Nas crônicas de Alonso de Ovalle, outro espanhol, ficamos sabendo que os nativos só elaboravam bebidas alcoólicas com milho, batata e pimento, uma árvore autóctone. Com a chegada das uvas, aprenderam a fazer ''chicha'', ou suco fermentado. Não tinham paciência de esperar o vinho passar de simples suco àquela poção dos deuses. Mas, quando o conseguiam dos espanhóis, bebiam até cair, e morrer, às vezes. (J.B./AE)

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