Presente na mesa da maioria dos brasileiros, o café é a bebida mais tradicional e consumida no País, só perde para a água. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que o café está presente em 98,2% dos lares, sendo o consumo per capita de 4,8 quilos ao ano, o equivalente a 81 litros por pessoa ao ano. Seja lá qual for a maneira - puro, encorpado, coado, adocicado, com leite - certamente, a bebida está ligada a alguma lembrança e mexe com as pessoas de alguma forma, de uma simples relaxada no meio da tarde ou energia extra logo pela manhã. Além disso, o café tem o poder de reunir as pessoas. O momento do cafezinho, inclusive, é tido como "sagrado" em muitos locais de trabalho.
Emoções à parte, há várias formas de apreciar a bebida. Apesar de ser ingerida há séculos, foi nos últimos anos que suas variações de preparo começaram a ganhar destaque. Capuccino, expresso, carioca, extração a frio, com adição de essências, são apenas alguns exemplos de como o simples café preto pode tornar-se uma bebida diferenciada e, ao mesmo tempo, saborosa. Nesse contexto, a figura do barista, profissional especializado em preparo do café e toda cadeia produtiva do grão, vem de encontro a essa onda gourmet. O movimento dos especialistas, no entanto, vem realizando forte divulgação para que o café de alta qualidade seja democratizado e tenha o preço diminuído (meio quilo sai, hoje, em média, a R$ 55).
O tipo mais tradicional de preparo é o café coado, seja em filtro de papel ou nos antigos de coadores de pano. Também é a forma mais consumida pelos brasileiros. De acordo com a barista do Pier Coffee, Andréia Cristina Luchetti, mesmo essa maneira mais popular merece atenção na hora de fazer. "Tudo começa pela escolha de um bom grão de café, que deve ter pontuação acima de 85. E não estou falando do pó de café embalado, pois após moído, perde muito de suas propriedades devido ao processo de oxidação. Sem falar na baixa qualidade dos grãos." Sendo assim, conforme ela, o melhor é adquirir o grão em casas especializadas e moer na hora. "Já existem moedores caseiros e compactos, que são extremamente simples de manusear."

PREPARO
A água para ser usada deve estar a cerca de 92 graus de temperatura. Como em casa é difícil medir, ela sugere que a água seja fervida e se espere alguns poucos minutos para a temperatura baixar. "Assim como acontece na pele, se a água fervendo for jogada no pó, ele vai queimar, e isso deixa a bebida amarga", compara. A medida também é importante; o aconselhável para o café coado é de 10 gramas (colher rasa de sopa) de pó para cada 100 ml de água. "É preciso atentar-se ao tempo de extração também. Não se pode despejar a água de uma vez senão a bebida vai ficar aguada, pois o pó tem um tempo para absorver e liberar as substâncias. A dica é: vá colocando água na mesma proporção que ela sai", resume, completando que o recipiente que vai receber o café também precisa estar aquecido, o que pode ser feito com escaldo com a mesma água quente. Independentemente do tipo e variação do café, ela comenta que não seja adicionado açúcar à bebida para não alterar o sabor. (Leia as sugestões nesta página)

SEMANA DO CAFÉ
Além das variações da bebida, é importante destacar que a cidade de Londrina e o Norte do Paraná possuem sua história atrelada ao cultivo do café, que já foi considerada a terra do "ouro verde", nome dado ao grão de café. Por essa razão, o Dia Nacional do Café, comemorado em 24 de maio em todo o Brasil e que marca o início da colheita nos cafezais, é celebrado em alto estilo na cidade, durante a Semana do Café. O evento, que já está na quarta edição, começou ontem e segue até o dia 24 de maio e conta com diversas atrações culturais, oficinas gastronômicas e programação infantil, além de oferecer roteiros turísticos curtos que são uma espécie de "menu degustação" da Rota do Café.

SERVIÇO
Programação Semana do Café: www.semanadocafe.com.br e www.rotadocafe.tur.com.br

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