Curitiba – O desejo de aliar inovação e sustentabilidade, como forma de driblar as dificuldades econômicas, é o que move empresários, profissionais e fornecedores do setor da alimentação de todo o País, reunidos desde o dia 26 de junho no 26° Encontro Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em Curitiba. O evento inclui feira de relacionamento, reuniões, roteiro turístico, jantar às cegas e o "Mesa ao Vivo Paraná", o reality show da enogastronomia, além de palestras com nomes como o do chef francês Claude Troisgos, conhecido pelo programa "Que Marravilha!", da GNT. Segundo o diretor-executivo da Abrasel, Luciano Bartolomeu, a expectativa é que mais de duas mil pessoas passem diariamente pelo campus Ecoville da Universidade Positivo (UP) até o próximo domingo, data de encerramento.

"Nesse tempo de crise, a inovação é uma das saídas. As pessoas querem ver coisas diferentes, que possam realmente trazer soluções. Esse é o tema debatido, e sempre levando a sustentabilidade, tomando o cuidado de não agredir o meio ambiente", afirmou Bartolomeu. De acordo com ele, é possível buscar alternativas mais econômicas no preparo dos alimentos. "Por exemplo: o filé-mignon. Ou, às vezes, outro tipo de carne, que não seja um corte tão caro, e que pode ser até melhor que uma mais nobre. Você começa a inovar nos pratos, nos serviços, nos equipamentos que não agridam tanto a natureza. Há inclusive equipamentos que transformam o lixo em pó", contou.

Na avaliação do diretor-executivo, a ideia de que custa mais se alimentar fora de casa não passa de um mito. "Sai muito mais caro pegar uma condução e ir para casa comer. A grande maioria dos restaurantes faz por peso. As pessoas pagam menos, o necessário, e há mais qualidade; tanto que o movimento dos restaurantes caiu com a crise, mas já está crescendo novamente. E todos procuram aqueles que estão inovando – comida boa, com preço mais baixo e criativa".

Uma das atrações do encontro, a "Mesa ao Vivo", trouxe como tema em sua terceira edição o "despertar do Paraná: história, técnicas e produtos locais". Nomes de destaque no mercado foram convocados para ensinar técnicas de preparo. O chef Dudu Sperandio fez a polenta cremosa com ragù bolognesa, pancetta e trufas negras, que costuma servir no Ernesto Ristorante. "A minha cozinha é a italiana, que também faz parte da cultura do sul do Brasil. Dentro do possível, eu procuro trabalhar com produtos regionais nossos, de Curitiba, Campo Largo ou da Salumeria Monte Bello, em Quatro Barras (região metropolitana)".

Já Eudemar Cavalcanti, que é professor na UP e chef nas Empresas Zafferano Eventos Gastronômicos, apresentou um "Toten de pupunha com sururu flambado com cachaça de Antonina e lâminas de coco fresco". Ele também destacou o apego à questão da sustentabilidade. "Uso fornecedores e produtos locais, que não tenham forte impacto sobre a natureza. Os ingredientes são baseados na pupunha, que é da Mata Atlântica, de plantio, não nativo. O (Claude) Troisgos acabou de almoçar esse prato". Para Cavalcanti, as iguarias locais precisam ser atrativas ao ponto de serem escolhidas pelo público. "A aceitação está sendo muito bacana. A gente antes valorizava muito o importado, o internacional, caso do caviar, que parece ter certo glamour, e não apreciava a tainha do litoral paranaense, que está aqui do lado".

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