Sabores - O universo inexplorado das Pancs
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local
Já pensou em comer um charuto feito com folha de urtiga ou um refogado de folha de bidens? E uma omelete com folhas de dente de leão? Ou, ainda, uma salada de cariru e almeirão de árvore? Há pratos, também, com bertalha, folhas de buva, flores de capuchinha, serralha, batata nativa. Consideradas ervas daninhas, matos ou plantas silvestres e forrageiras, as "Plantas Comestíveis não Convencionais", ou simplesmente Panc, são totalmente comestíveis e saborosas, ainda que inexploradas comercialmente. Apesar dessas espécies de plantas nascerem espontaneamente meio a plantas cultivadas, são ignoradas ou arrancadas para seu descarte. Mas estudos recentes começam a mostrar o potencial alimentício, sobretudo nutricional, desses "matos", abrindo uma nova perspectiva para a gastronomia e até mesmo a medicina.
Em sua chácara localizada na cidade de Cambé, o quintaleiro e permacultor Kléber Antonio Fernandes possui várias Pancs espalhadas. Um verdadeiro paraíso para quem quer inovar na culinária e experimentar novos sabores.
De tempos em tempos, ele promove oficinas em sítios da região para que as pessoas aprendam a identificar as plantas comestíveis e preparar pratos diferentes. "As pessoas precisam saber da importância em incorporar esses alimentos marginalizados no cardápio. Além disso, ensino como é fácil mudarem esse hábito e incentivo que comecem a cultivá-las. Apesar de que, geralmente, são plantas que aparecem naturalmente. Digo sempre que as praças e terrenos baldios estão cheios de comida", atenta.
Entre os benefícios, ele destaca que são alimentos ricos em nutrientes e muito saborosos. "O paladar das pessoas apenas não está acostumado. Quando grandes chefs de cozinha começam a incorporar em seus preparos, o preconceito vai embora. Como aconteceu com a taioba, que o famoso chef Alex Atala usa em alguns pratos."
Dentre as utilizações de Pancs, Fernandes diz que há inúmeras possibilidades que vão de um simples refogado a recheios, saladas, canapés, sobremesas e muitos chás. Além disso, elas servem como corantes e dão crocância aos pratos. "Algumas plantas precisam de preparo simples antes de serem consumidas, geralmente, um escaldo."
Um prato de fácil execução e que ele garante ser muito saboroso é o charuto com folha de urtigão recheado com ricota. Para isso, é preciso colher as folhas com luvas, por causa da urticância. Em seguida, retirada a nervura central para que, então, a folha seja escaldada por cerca de um minuto. "Depois desse processo, retire as nervuras secundárias, que são as partes urticantes, e reserve até o recheio ficar pronto." O sabor da folha, segundo ele, lembra a folha de uva. Para o recheio, utilizou ricota com azeitonas picadas, mas que pode ser substituído por qualquer outro. "Pegue as tiras de folha de urtigão, adicione uma porção de recheio e enrole como palitos. Está pronto para servir. Mas, se preferir, os palitos podem ser aquecidos no forno por dois minutos", ensina.
Como sobremesa, ele sugere um crugelatto de banana com jambu - uma folha muito utilizada no tacacá, prato tradicional do Pará que causa um certa dormência na língua. "Para esta receita, é só bater 200 gramas de banana nanica bem madura congelada num processador. Quanto estiver atingindo uma textura cremosa, adicione doze folhas picadas de jambu. Sirva em seguida."
O jambu, de acordo com Fernandes, assim como a hortelã, confere uma refrescância ainda maior ao creme, "mas com características próprias e curiosas, que é a sensação de amortecimento leve e passageiro na boca". (M.T.)
Serviço
Oficina Quintal Comestível sobre Pancs
Quando - 12 de dezembro, das 14h30 às 17h30
Onde - Pousada Marabu, em Rolândia
Quanto R$ 90 por pessoa
Mais informações (43) 3017-0107/ 8432-9730 ou [email protected]