Remete à década de 1990, nos Estados Unidos, uma certa tendência – até mesmo revestida do "politicamente correto" - de aproveitar a durabilidade das embalagens de vidro para acondicionar alimentos que possam ser levados ao trabalho, como as tão recomendadas e saudáveis saladas. A nutricionista Valéria Arruda Mortara, de Londrina, chega a apostar em um certo "toque provençal" nessa história toda, como um resgate às origens da simplicidade culinária.
É fato que a mania dos potinhos de vidro pegou e, além de práticos e duráveis, eles têm o seu charme próprio e aguçam o paladar pelo visual que apresentam. "Essa 'onda' é muito legal na minha opinião. Motiva as pessoas a prepararem a própria comida, serem criativas na hora de formarem as camadas, no caso das saladas, e quanto mais variado e colorido, mais saudável e bonito o resultado", afirma a nutricionista.
Na cozinha da sua aconchegante casa, rapidamente ela demonstrou como é prático preparar essas saladas conservadas nos potes de vidro – tanto para porção individual quanto familiar – que são úteis mesmo que você não precise comer fora. Aliás, quer coisa melhor do que chegar em casa e já ter toda a salada já organizada e pronta, esperando apenas um leve "chacoalhar" para ter o molho agregado a folhas e legumes crocantes?
O "pulo do gato", segundo ela, é montar em camadas, começando com a do molho de sua preferência, e não deixar que as folhas fiquem em contato com o molho. Além disso, ela lembra que certos legumes até ficam saborosamente "meio curtidos" ao serem colocados na primeira camada, em contato direto com o molho. "Isso também é outra vantagem desse preparo. Fica à preferência de cada um a melhor forma de montar a sua salada personalizada", comenta a nutricionista. Para quem precisa levar o pote de vidro até o trabalho, uma embalagem apropriada (como aquelas frasqueiras para carregar garrafas térmicas) ajuda a não balançar demais a "marmitinha saudável no vidro", pois o objetivo é só misturar tudo na hora de comer.

Dicas de preparo
A nutricionista, particularmente, prefere os legumes cozidos aos crus na hora de montar a primeira camada de salada no vidro para que eles não murchem nem desidratem ao terem contato com o sal e o vinagre, ingredientes comuns na maioria dos molhos. "Mas, se alguém for fã de rabanete, nada impede que sejam colocadas rodelas desse legume, que vai acabar ficando meio curtido", afirma.
Entre suas dicas para as camadas iniciais, após a colocação do molho, estão milho verde, grão de bico, palmito picado, brócolis, cenoura, abobrinha, chuchu, entre outros ingredientes. Ela também sugere que seja acrescido uma fonte de carboidrato, como arroz ou até macarrão cozido. "É uma refeição fria e que fica bem saborosa", garante a nutricionista. Após colocar os legumes preferidos, é hora de soltar a imaginação e ir colocando os outros ingredientes como folhas de alface, tomates picados, pepino, repolho (que pode também ser colocado cru na primeira camada para curtir) e beterraba.
Outra ideia criativa é fazer uma versão de salada com arroz integral cozido com cenoura e acrescentar fontes de proteína, como pedaços de queijo muçarela, minas frescal, peito de peru, ricota, frango desfiado e até ovos cozidos. Para intercalar as camadas, as sugestões são cenoura ralada, azeitonas sem caroço ou castanhas. O ideal é sempre terminar a montagem com a salada crua. "Tudo é muito prático, combina com a vida corrida que temos e ainda faz bem à consciência ecológica", conclui.

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