Mesmo havendo pessoas que paguem um alto preço por elas, as ovas de peixe ainda causam um certo preconceito: tem gente que só de ouvir falar já faz cara feia. Nada mais que ovários de fêmeas, a forma mais conhecida é o caviar, ovas retiradas do esturjão, um peixe de água doce. Um potinho com 100 gramas dessa iguaria de luxo chega a custar, em média, R$ 40. A maneira mais utilizada é como aperitivo, servido em alguma massa crocante.
As receitas e aplicações, porém, vão além. Muito utilizadas na culinária japonesa, as ovas de espécies como salmão, peixe-voador e capelin também são exemplo de como essa parte do peixe pode ser consumida.
O que muita gente não sabe, também, é que cada ova recebe um nome diferente. Ovas de salmão são chamadas de ikura. As de peixe-voador, tobiko. Já as de capelin, são conhecidas como massago. Uma curiosidade é que, no caso do peixe capelin, somente as ovas são utilizadas, por se tratar de um peixe magro e praticamente sem carne. Outro tipo de ovas, porém pouco utilizadas, são de ouriço que, segundo quem já comeu, tem uma consistência bem diferente, com aspecto mais molenga e textura mais cremosa.
O restaurante TokYo!, inaugurado há quatro meses em Londrina (com cardápio elaborado pelo renomado chef Adriano Kanashiro), utiliza os três tipos de ovas em alguns pratos. Um deles é o Maguro Shigue, um temarizushi (sushi feito de forma arredondada) envolto em farofa de wasabi (raiz forte) com uma porção de atum batido por cima. A finalização é feita com tobiko salpicado por fatias pequenas de nori (tipo de alga marinha). "Esse sushi é um dos pratos mais pedidos", conta o chef André Nascimento da Silva.
Outro prato do restaurante que utiliza ovas de peixe é o Salmão Tataki, um sashimi requintado e saboroso. Nesse prato, a peça de salmão crua é marinada no molho teriyaki, mais adocicado, e, depois, levemente selada pelo fogo de um maçarico. "O fogo dá uma caramelizada na carne." Em seguida, começa a montagem do prato, onde as peças vão cortadas e alinhadas. "Por cima do peixe, uma colher de molho cítrico de maionese a base de limão, alho poró e salsão, ovas massago, e pérolas de shoyu que, visualmente, se assemelham às ovas. Para arrematar, ciboulette picada na decoração", detalha o chef.
Os dois tipos de ovas são dezenas de bolinhas pequeninas, sendo que tobiko são um pouco maiores que massago. Estas, por suas vez, geralmente têm a coloração modificada por algum corante ou, até mesmo, tinta de lula. O cheiro é de peixe e o sabor, também. A textura das ovas é o que mais tem de diferente: ao comê-las sozinhas, dá para sentir, sutilmente, as pequenas bolinhas explodirem na boca, como se fossem crocantes. Misturadas aos demais ingredientes, as ovas passam despercebidas ao paladar dos desavisados.
Apesar do "forte" do restaurante ser o rodízio, os pratos também são servidos a la carte; cerca de trinta pratos compõem o cardápio. "Nossa intenção é criar um novo conceito de comida japonesa e de ambiente. Com um menu degustação, nosso estilo está baseado no conceito 'izakaya', um mix de restaurante e bar japonês. Os pratos seguem os ingredientes tradicionais, mas sempre com algum diferencial", explica. Todos os pratos do cardápio são servidos no rodízio. Um prato de Maguro Shigue vem com oito unidades. Já o sashimi vem com cinco fatias.

mockup