Celebrado ontem, o Dia da Imigração Japonesa abre espaço para justas homenagens à comunidade nipônica. E, sem dúvida, a gastronomia ocupa um lugar de destaque nesse processo de convivência que já dura mais de um século. Abrigando uma das maiores concentrações de nikkeis do País, Londrina rapidamente se rendeu à culinária oriental. Mas alguns hábitos dos imigrantes da terra do sol nascente ligados à alimentação ainda merecem ser descobertos pelos brasileiros.
Um bom exemplo a ser seguido é em relação às marmitas. Para os ocidentais, na maioria dos casos as quentinhas são sinônimo apenas de praticidade. Já para os japoneses, a preparação do bentô (o equivalente à nossa marmita) requer um verdadeiro ritual que pode até ser encarado como uma terapia, além de explorar sabores diversos.
O hábito de se levar a comida pronta para as mais diversas ocasiões é tão arraigado no Japão que há versões para situações específicas como um piquenique no parque para ver as cerejeiras (hanami-bentô), para o Ano-Novo (osechi) e os famosos bentôs das estações de trem (ekiben). "Na atual correria do mundo moderno, muitas lojas de conveniência do Japão passaram a oferecer bentôs prontos, para que as pessoas possam comprá-los e comer em casa. Mas a diferença em relação às marmitas daqui está realmente na inclusão de pratos tipicamente japoneses preparados conforme manda a tradição", argumenta André Massao, chef de cozinha do restaurante Tsuyu Delivery.
"Preparar o obentô é uma verdadeira terapia que requer tempo, dedicação e paciência pois cada alimento exige cortes e combinações minuciosas que transformam ingredientes básicos em pequenas obras de arte", afirma Eva Midori, nutricionista do estabelecimento.
Flores preparadas com omelete, leques feitos com pepino e rolinhos delicados seguem esse conceito. "Ao invés de fazer um simples omelete, pode-se cortá-lo em tiras que após intercaladas podem ser coloridas com corante artificial. Os cortes em carnes, verduras e legumes também são precisos pois levamos em conta que primeiramente as pessoas comem o bentô com os olhos para depois apreciar cada um dos alimentos", explica Eva.
Além da questão estética, o valor nutricional de cada alimento também é levado em conta. "Os japoneses sempre buscam um equilíbrio entre proteínas, carboidratos e vitaminas presentes em verduras, legumes e frutas", salienta a nutricionista.
Outro grande diferencial em relação à marmitas convencionais é o fato de que os bentôs são consumidos frios. "Para os japoneses, os alimentos devem ser consumidos da forma mais natural possível. Por isso os bentôs não são aquecidos antes das refeições. Além disso, as carnes são grelhadas apenas com um fio de óleo. E as frutas e verduras são sempre as de época", detalha Massao.

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