Sabores - Bate-papos regados a café
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
A partir da próxima terça-feira, os londrinenses terão uma programação que une gastronomia e arte. Será lançado na cidade o projeto "Café com quê?", desenvolvido em parceria entre o Sesc-Cadeião Cultural e o Café-Escola Senac. A iniciativa prevê bate-papos com nomes ligados à música, literatura, artes e história na cafeteria do espaço cultural. Os encontros serão regados a um cardápio especial preparado por baristas com grãos selecionados servidos em forma de expressos, cappuccinos, macchiatos e bebidas geladas como frappuccinos, coffe shakes.
Na estreia do projeto, dia 5, a convidada será a artista plástica Cláudia Rezende, que conversará com o público a partir das 19 horas. "É uma proposta do Sistema Fecomércio que pretende resgatar a relação entre o café e a arte. Como acontece em Veneza, por exemplo, onde as cafeterias são consideradas escolas de sabedoria por reunir grandes pensadores em torno das sessões de degustação do café", explica a barista Andréia Luchetti, do Café-Escola Senac.
Ela destaca que a cafeteria instalada no Sesc-Cadeião Cultural (localizado na Rua Sergipe, 52) e inaugurada em fevereiro conta um cardápio de produtos gourmet. "A principal preocupação do Senac é com a qualidade dos produtos. O blend que utilizamos para preparar os produtos são originários de uma fazenda produtora de café da cidade de Jacarezinho (Norte Pioneiro). Além disso, seguimos os mais rigorosos critérios no método de extração, conforme o padrão italiano", enfatiza.
Itens como a temperatura da água e o tempo de caída do café na máquina de expresso influenciam diretamente no sabor da bebida. "A água usada na preparação, por exemplo, não pode estar fervendo. Ela deve ser aquecida até, no máximo 90 graus. O café deve cair em cerca de 30 segundos. Caso esse tempo seja prolongado pode resultar numa bebida amarga, pois trata-se de um sistema de super-extração", detalha a barista.
Andréia salienta que cada vez mais as exigências em relação ao café se aproximam às dos apreciadores de vinho. "Por isso é tão importante que os cafés sejam preparados por profissionais especializados que saibam extrair as melhores qualidades de cada tipo de grão. Os baristas estão para o café assim como os enólogos estão para o vinho", afirma.
Apesar da importância da mão de obra especializada, Andréia lamenta a falta de especialistas em muitos estabelecimentos que comercializam café. "O número de cafeterias tem aumentado bastante, mas infelizmente poucas contam com baristas", avalia a especialista.
CURSO BARISTA
Visando preencher essa lacuna, o Café-Escola Senac oferece cursos de baristas. "O curso do Senac é o mais completo do País, com três meses de duração. Na parte teórica, que é realizada na sede do Senac, os alunos aprendem toda a parte histórica do café, da preparação das mudas ao plantio e colheita, processo de torra e moagem e as formas de identificar variados tipos de plantas", especifica Andréia.
Já a parte prática do curso será realizada na cafeteria do Café-Escola localizada no Sesc-Cadeião Cultural. "Temos alunos de várias idades, de 20 a 70 anos. E com interesses diversos, desde pessoas que querem aprender mais sobre o café para consumo próprio até aquelas que desejam trabalhar como barista", informa.
PÚBLICO SELETIVO
De acordo com ela, os novos profissionais terão como desafio formar um público mais seletivo em relação ao café. "Os brasileiros, de um modo geral, acham que estão tirando um proveito melhor do café pedindo a bebida em xícaras grandes. Na realidade, a quantidade de café utilizada é a mesma que para xícaras pequenas, de oito a dez gramas. A diferença é que, por utilizar mais água para preencher a xícara maior, haverá um índice maior de cafeína que causará um amargor e a bebida terá que ser adoçada. Enquanto na xícara pequena é possível apreciar a bebida sem açúcar, apreciando notas distintas que o blend de grão possui", ressalta.
A barista destaca ainda que muitas pessoas compram máquinas de café expresso, mas não sabem como extrair do equipamento a bebida com toda a qualidade possível. "Cada tipo de máquina exige uma moagem diferente de café, por exemplo. Por isso é importante sempre procurar produtos gourmet e manter-se bem informado com profissionais da área. Outra dica é fazer um curso de barista, mesmo que não tenha pretensões de seguir carreira", aconselha.


