Presente em vários filmes norte-americanos, o frango frito "no balde" (fried chicken), já é um prato popular em todo o mundo. No Brasil, não é diferente. Ano a ano, mais franquias - inspiradas no famoso KFC – abrem, mas cada uma com seu segredo de tempero e maneira de deixar o frango crocante por fora e macio por dentro. Tudo bem que por aqui o frango frito, propriamente dito, não é uma novidade. Porém, ao contrário do frango frito tradicional brasileiro, o no balde, geralmente, tem uma aparência diferente por ser empanado com farinha de trigo e vem acompanhado de molhos especiais. Em Londrina, existem, pelo menos, quatro estabelecimentos ao estilo fast-food especializados nesse prato.
Há quatro meses, o "Frango na Lata" vem ganhando clientela com a nova moda. No cardápio, seis opções de corte de frango frito: coxa e sobrecoxa, tulipa, coxinha da asa, tiras de peito e coração de galinha. Quem quiser, pode misturar tudo de uma vez. O balde vem em dois tamanhos, médio e grande, sendo que o médio vem com dez pedaços e o grande com vinte pedaços. "O maior serve até seis pessoas", conta o proprietário e gerente do local, Fernando Barbosa dos Santos. Para acompanhar, três tipos de molhos: mel com mostarda, barbecue e meck (com 15 tipos de ingredientes e sabor mais suave).
Bem temperado e levemente apimentado – com sabor predominante de cominho e curry – o frango fica marinando por uma hora num pó pré-preparado pela franquia catarinense. "O tempero foi desenvolvido para o paladar do brasileiro que prefere comida com mais sabor", pontua. Após o tempero, passa pela farinha de trigo. Para chegar ao ponto da crocância por fora sem que fique "seco" por dentro, Santos diz que é preciso controlar muito bem o cozimento para, então, dourar por fora. "O óleo deve estar numa temperatura de cerca de 120 graus. Depois de vinte minutos mexendo os pedaços constantemente, vão para uma segunda fritura, que é o que deixa o frango crocante." Quem quiser, pode pedir ainda acompanhamentos como mandioca, polenta ou batata; tudo frito.
Dentre os apreciadores, o gerente diz que não há faixa etária específica, pois agrada a todos. "As pessoas de Londrina estão começando a variar no que comem à noite, que tem o lanche e pizza como preferidos. Atendemos muitas pessoas que querem uma refeição rápida e prática. As crianças adoram." O estabelecimento é primeira loja da franquia catarinense, que existe há um ano e meio, aberta no Paraná, que também funciona como delivery durante o período da noite.
Por dia, o Frango na Lata está vendendo cerca de 100 quilos. E, ao que tudo indica, essa não é uma conquista isolada. Estabelecimentos voltados ao ramo de frango têm tudo para continuarem em alta. Apesar de gostar de carne vermelha, a cada ano que passa, o brasileiro aumenta o consumo de aves.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), no ano 2000, o consumo per capita no País era de 33,81 quilos e passou para 45 quilos em 2012. A indústria de carne de frango exibe otimismo e estima que a produção nacional deve crescer de 3% a 4% em 2015, motivada, sobretudo, pela alta da carne bovina.

Quase três décadas de tradição
Desde 1988 em Londrina, a Jet Chicken serve frango frito tradicional no corte à passarinho, ou seja, pedaços menores. "Pegamos uma coxa de frango, por exemplo, e cortamos em três, em pedaços de cerca de três centímetros. Passarinho é o corte e não o tipo de cozimento", explica o sócio-proprietário Ilson Felício Sanches.
No cardápio existem três tipos de pedaços separados ou tudo misturado: asa, peito e coxa e sobrecoxa, incluindo a opção sem osso. "Esta é a preferida pelas mães, que podem dar uma carne branca para as crianças sem preocupação."
Já as porções variam em três tamanhos, divididas em individual, para duas ou quatro pessoas, com 380 gramas, 750 gramas e 1,5 quilo, respectivamente. "Nossos pratos são para serem servidos como uma refeição mesmo, e não petisco. Tanto que não abrimos em happy hour, mas no período da noite para as pessoas jantarem. Apesar disso, criamos o hábito das pessoas comerem com as mãos em vez de usarem prato e talher", completa Sanches.
Atuando como franqueador desde 1994, a rede londrinense possui um tempero próprio que segue a mesma medida para todos os estabelecimentos espalhados pelo País. "São vários condimentos desidratados, cujo pó é utilizado para marinar os pedaços de frango. Fizemos uma adaptação ao gosto do brasileiro." Estes, por sua vez, são fritos numa única etapa em uma fritadeira exclusiva para frango no estilo "fritura inteligente", que permite um cozimento interno no ponto sem que a parte externa fique tostada. A capacidade da fritadeira é de três quilos a cada sete minutos, na qual a temperatura chega aos 180 graus.
Mesmo o frango frito sendo o carro-chefe, há opções de acompanhamentos como batata frita, nuggets e polenta (pré-cozida e fabricada pela rede). Os molhos tártaro e vinagrete complementam o pedido. "Nossas receitas, como a do tempero e do cozimento do fubá, são o diferencial no sabor. Não nos preocupamos com modismos e acreditamos que há espaço para todos os tipos de frango", salienta.
Dentre as várias possibilidades, uma coisa é certa: empanado ou não, na lata, no balde ou no prato, com tempero apimentado ou molho, definitivamente, frango frito não é um prato para quem está de dieta. Mas, vale a pena ignorar as calorias e experimentar, sem culpa, todas as variações. (M.T.)

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