A vida tem sido ''carinhosa'' com Lázaro Ramos. E ele é o primeiro a admitir. O ator, que acaba de emplacar nova temporada (a segunda) de ''Ó Paí, Ó'' na Globo, tem um motivo a mais para encher a boca ao falar do trabalho que desenvolve ao lado dos companheiros do Bando de Teatro Olodum. O programa é um dos indicados ao Emmy Internacional na categoria Série de Humor. Enquanto espera o resultado, que só sai em 23 de novembro, Lázaro mantém os pés no chão e só lamenta o espaço, ainda pequeno, para seus colegas de elenco na tevê. ''É injusto que o público só possa assistir a atores tão talentosos em quatro episódios por ano. Espero que outras portas se abram daqui para frente'', torce.
''Ó Pai, Ó'' marcou sua segunda indicação ao Emmy Internacional, depois da que recebeu como melhor ator em ''Cobras & Lagartos''. Como você recebeu essa notícia?
Estou radiante. Acho isso importante demais para nós. Fiquei muito feliz quando fui indicado pelo Foguinho, meu personagem em ''Cobras & Lagartos''. Mas ''Ó Paí, Ó'', além de ser uma obra que admiro, conta com pessoas na equipe que me encantam muito. O júri é composto por pessoas de países diferentes e perceber que essa história consegue agradar, tocar e divertir outras nacionalidades é bárbaro.
O título da série foi traduzido como ''The Slum'', que significa ''O Gueto''. Isso incomodou você?
Não, acho que a história fala por si só. ''Ó Paí, Ó'' também é um gueto. É uma comunidade, um prédio, um cortiço, enfim, não é uma história fácil de se contar. E o artista tem de permitir que o público identifique o que ele quiser dali. São personagens que habitam o universo do humor, mas não têm nada de simples. Cada um tem uma função muito densa. São vários assuntos abordados. Tem gente que vai dizer que é sobre um gueto, outros sobre uma comunidade, cada um vai ver de uma forma distinta.
A série conseguiu 20 pontos de média com 44% de share em 2008, ganhando nova temporada. Esse resultado surpreendeu você?
Claro que sempre existiu uma torcida forte, mas a gente não fica planejando muito porque não sabe o que vai acontecer. Imaginei que fosse pegar porque eu conheço o potencial do grupo inteiro. Desde os meus 15 anos, sei da história deles e do talento também. Tomara que isso tenha uma continuidade. E não só na tevê. Na essência, trata-se de um grupo de teatro que está emprestado para a televisão. Os produtores de elenco estão aí, vendo o trabalho deles. Espero que aproveitem bem esses profissionais.
Então ainda não está certa uma nova temporada no ano que vem?
Se você me perguntar se tem material para isso, respondo sem titubear que sim. Mas, sinceramente, acho que não é justo o Brasil esperar uma vez por ano para ver essas pessoas trabalharem. Claro que a série é boa, mas existem outras coisas que esses atores podem fazer também. Torço muito para que novas portas se abram para essa galera.
Desde o fim de ''Duas Caras'' você não é escalado para nenhuma novela. Já tem ideia de quando volta aos folhetins?
Não estou reservado para nada. Por enquanto, só estou gravando o ''Dó-Ré-Mi-Fábrica'', um especial de fim de ano. É um projeto do núcleo da Denise Saraceni, com direção musical do João Falcão e direcionado para crianças. Trata-se da história de irmãos gêmeos que são donos de uma fábrica de instrumentos musicais. Um é inventor, faz instrumentos inusitados. Já o outro é o administrador da empresa. Eu interpreto os dois. A Nathália Dill, o Chico Diaz e o Alexandre Nero também estão no elenco.

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