Uma das muitas lendas que nasceram em torno dos bonsais fala sobre um casal humilde: Tomanari e Maharita. Em uma noite de rigoroso inverno, com a cabana onde moravam quase soterrada pela neve, eles deram abrigo a um mendigo. Para manterem-se aquecidos jogaram na lareira três árvores de bonsai seculares: uma tuia, um pinheiro e um carvalho. As plantas garantiram o fogo até o início da manhã quando operou-se um milagre: a cabana foi renovada e as três árvores, após serem consumidas pelo fogo, voltaram à vida.
O bonsai é uma arte milenar oriental que tem sua origem na China do século 3 a.C, no período dos Tsin. Durante um longo período esta prática foi reservada à nobreza. No século 12 os p’en-tsai - árvores recolhidas na natureza e replantadas em vasos decorados - chegam ao Japão através de imigrantes.
Mario CesarCom uma muda solitária ou uma minifloresta, o dono de bonsais encontra o prazer de cultivar a arte milenarHoje o cultivo destas plantas já ganhou o mundo e passou a ser comercializado. Muitas indústrias dedicam-se a esta arte de miniaturizar a natureza. A princípio esta atividade era desenvolvida com pinheiros, carvalhos e tuias. Ao longo do tempo começaram a fazer bonsai de flores, como as azaléias. Existem ainda os Bonkeis, que são paisagens da natureza - com água, montanha, areia e vegetação - reproduzidas sobre bandejas.
No Brasil acredita-se que esta arte chegou junto com o Kasato-Maru que ancorou no porto de Santos trazendo os primeiros imigrantes japoneses. Esta prática, que segundo especialistas traz em sua origem elementos religiosos e filosóficos, conquistou os mais diversos povos e estendeu-se para além de pinheiros, tuias e carvalhos.
Jabuticabeiras, acerolas, romãs, pitangueiras, cerejeiras e goiabeiras também são miniaturizadas. Os bonsais frutíferos são cultivados e comercializados em muitos lugares. Adriano Lavoura, que há sete anos dedica-se a esta arte, explica que é possível fazer bonsai até mesmo de bananeiras. ‘‘Só é preciso ficar atento para alguns cuidados como poda, luminosidade e água’’, afirma.
Adriano Lavoura é funcionário da empresa Do Carmo Flores de Holambra, de São Paulo, responsável pela Festflor (Feira de Flores de Holambra) em conjunto com a Casa do Caminho de Londrina. Os mais diversos tipos de bonsai podem ser apreciados e adquiridos ainda hoje - último dia do evento, que traz também uma infinidade de flores e plantas a preços acessíveis.
Além de embelezar o ambiente, os bonsais são conhecidos por representarem boa sorte, bondade e alegria. Na tradição oriental eles representam um profundo sentido espiritual da vida. Transformados em obra de arte, evocam sentimentos de beleza, graça e grandeza.
A poesia e a sabedoria que existem nesta arte milenar são alimentadas com muita dedicação, observação, perseverança, disciplina, humildade e determinação. Cultivar um bonsai exige todas estas virtudes. A simplicidade faz brotar o que há de mais profundo e belo na alma humana.

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