RUY GUERRA VAI DIRIGIR O ÉPICO DE PELLEGRINI
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O filme Terra Vermelha, baseado no romance de Domingos Pellegrini, começa a ganhar ares de produção. Ontem estiveram reunidos em Curitiba o autor do livro, o diretor Ruy Guerra, o produtor Tito Ameijeiras, além do roteirista José Luiz Peixoto e da empresária Cloris de Souza Ferreira. Os compromissos foram além do mero aspecto artístico às onze da manhã tiveram uma audiência no Palácio Iguaçu com o governador Jaime Lerner e a secretária da Cultura, Lúcia Camargo, quando pediram apoio ao filme.
Não foi uma solicitação em espécie, mas em influências. Ou seja, que eles abram as portas para nós, como explicou Cloris. A idéia é promover uma reunião com grandes empresários do Norte paranaense, e a partir daí angariar recursos para o filme que está orçado em R$ 4 milhões.
Os trabalhos estão numa fase ainda remota do projeto, então não há muito o que adiantar sobre Terra Vermelha, comentou Ameijeiras. Porém, a expectativa é de que o filme esteja nas telas em 2002 e, como frisou Cloris, este empreendimento é voltado ao mercado internacional. A nossa preocupação é com a qualidade, para que ele possa competir em outros países.
Do grupo que participou da entrevista faltou o roteirista, que estava dando uma oficina o escritor Domingos Pellegrini demonstrava ser o mais feliz com esse encontro. Ele comentou que neste projeto tudo é feito de forma planejada, consistente. Satisfeito, observou que aqui nada está sendo feito pelo lado precário, pelo improviso. A proposta é a de fazer grande arte para grande público, e pelo o que ele viu até agora deixa-o cada vez mais seguro o que virá pela frente.
Ruy Guerra foi claro: Não dá para fazer filme experimental com R$ 4 milhões. O dinheiro pode não ser nada para os padrões americanos, mas não é desprezível para a realidade nacional. Como diretor ele sabe exatamente o que quer, mas não imagina as imagens que estarão na tela. A cara do filme só existe quando ele está na tela. Quem diz o que vê antes, está mentindo. A gente trabalha num nevoeiro, explicou. A não ser que o diretor seja daqueles que repetem a mesma técnica e fórmula de obras já feitas. Guerra não pertence a esse quadro de cineastas.
Ele contou que foi seduzido por Terra Vermelha, quando Cloris Ferreira contou-lhe que a proposta era a realização das filmagens e, ao mesmo tempo, o acompanhamento direto de novos técnicos, através de oficinas, como a que está acontecendo com o roteiro. Seria um enorme desafio dirigir nestas condições, mas esse é um caminho que agrada a ele.
Porém, entusiasmou-se mais ainda quando leu o romance de Pellegrini. A narrativa da construção de Londrina, com suas perdas e conquistas, fascinou-o. São 60 anos de história que deverão ser transformados em duas horas de duração. Pode dar um excelente filme, afirmou. No momento está acontecendo a adaptação do roteiro. É a primeira fase. A segunda ocorrerá em abril e todo este processo é doloroso, mas vale a pena, disse o cineasta. Pellegrini descartou a hipótese de que Terra Vermelha poderia se transformar numa produção com ares institucionais. Não vamos focar Londrina como cenário único. Para Ruy Guerra, o essencial é contar uma história universal. O próprio cinema está aí para mostrar isso.O diretor que foi um dos mestres do Cinema Novo lança-se agora ao desafio de levar Terra Vermelha para as telas
Kraw PenasDomingos Pellegrini e Ruy Guerra ontem, na entrevista coletiva: o livro sobre a história de Londrina fascinou o cineasta





