Ruy Castro é o grande vencedor, mas tem londrinense entre os premiados
"Trincheira Tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio" é o Livro do Ano; o londrinense Mário Cortella venceu na categoria Negócios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
"Trincheira Tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio" é o Livro do Ano; o londrinense Mário Cortella venceu na categoria Negócios
Camila Boehme/ Agência Brasil 

A cerimônia da 68ª edição do prêmio ocorreu na noite de terça-feira (27), na Sala São Paulo. Ruy Castro não estava presente por questões de saúde, conforme anunciado no evento.
Na obra que conquistou o prêmio de Livro do Ano, o escritor e jornalista reconstitui o Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, mostrando como os acontecimentos na Europa repercutiram na vida da cidade. O livro, que combina pesquisa histórica e narrativa do cotidiano carioca, também venceu o Jabuti na categoria Biografia e Reportagem.
No ano passado, o autor também recebeu o prêmio na mesma categoria com o livro "O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim", uma coletânea de textos sobre o compositor.
Nascido em 1948, em Caratinga, Minas Gerais, o escritor começou sua carreira como repórter em 1967 e, a partir de 1990, dedicou-se à escrita de livros.
Reconhecido pelas biografias de personagens como Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, Ruy Castro também fez reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio de Janeiro dos anos 1920.
Promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o evento premiou vencedores em 23 categorias, além do Livro do Ano. As obras são distribuídas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.
Leia mais:
ROMANCE LITERÁRIO
Outra categoria com bastante visibilidade é Romance Literário. A escritora Eliana Alves Cruz foi a vencedora da categoria, com a obra "Meridiana."
“É um momento de muita alegria e realização”, definiu a escritora.
“Muito emocionante [receber] o prêmio de Romance Literário, é o prêmio mais tradicional. Muito simbólico, muito significativo de uma trajetória que eu acho que é de muita gente. São muitas pessoas, todos os meus ancestrais, minha família, meus amigos, nosso país. As escritoras todas que eu admiro e que estão aí produzindo”, disse Eliana à Agência Brasil.
O romance literário vencedor aborda temas como ascensão social e sentimento de pertencimento a partir da perspectiva de uma família negra.
“É toda uma forma de pensar sobre esse momento do Brasil, em que a gente tem uma classe média nova, uma classe média que está tentando se entender, se achar e principalmente buscando o seu lugar de pertencimento. Qual é a minha casa? O questionamento é: o que podemos chamar de casa?”, analisa a escritora
“Muitas famílias, a minha família, a família de pessoas que eu conheço fazem esse movimento. Saem de uma situação mais precária e vão para uma classe média, melhoram de vida, entre aspas, economicamente. Mas estão ainda atravessadas por muitas questões e vão para esse novo lugar e ficam num limbo, numa linha divisória. Nem são de onde vieram, nem são necessariamente do lugar para onde vão”, explicou a escritora.
NOVIDADES
Esta edição do Jabuti teve a estreia da categoria Incentivo à Leitura - Cultura Digital, voltada a criadores de conteúdo em plataformas digitais que contribuem para valorizar o livro e estimular a leitura.
A CBL explica que a categoria valoriza a qualidade dos conteúdos, o engajamento e o impacto cultural. A categoria recebeu 402 indicações válidas.
Pedro Pacífico, responsável pelo canal Bookster, venceu a nova categoria e recebeu a estatueta das mãos do jogador de futebol Gustavo Scarpa, que também tem mobilizado leitores ao compartilhar suas leituras nas redes sociais.
Nas outras 22 categorias, o Jabuti recebeu 4.675 inscrições de obras e projetos. A premiação está distribuída em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Além das estatuetas, os vencedores recebem R$ 5 mil por categoria.

LONDRINENSE PREMIADO
O filósofo, escritor, educador, palestrante e escritor londrinense Mário Sérgio Cortella foi o vencedor na categoria Negócios (Eixo Não Ficção) com o livro "Não se esqueça!: 50 memorandos sobre gestão e liderança com propósito, comprometimento e proatividade", publicado pela Editora Record. Conhecido no Brasil inteiro, Cortella nasceu em Londrina em 1954 e vive em São Paulo.
LYGIA BOJUNGA
O Jabuti homenageou Lygia Bojunga, escritora reconhecida no Brasil e no exterior, que foi escolhida como Personalidade Literária desta 68ª edição. O reconhecimento ocorre no mesmo ano em que uma de suas obras mais conhecidas, "A Bolsa Amarela", completa 50 anos.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1932, Lygia estreou na literatura em 1972 com "Os Colegas." Em livros como "Angélica", "Corda Bamba" e "A Bolsa Amarela", construiu uma obra marcada pela liberdade de imaginação e pela escuta dos conflitos e desejos da infância.
A escritora enviou uma mensagem de agradecimento e uma carta escrita à mão. “Que belo incentivo este!”, escreveu Lygia, referindo-se à homenagem. A escritora e psicanalista Ninfa Parreiras representou a escritora na cerimônia.
*A lista de todos os premiiados está no site Prêmio Jabuti





