O projeto ‘‘Rumos Musicais – Tendências e Vertentes’’, organizado pelo Instituto Itaú Cultural, anunciou ontem os trabalhos selecionados entre os 1.712 inscritos em todo o país.
Foram escolhidos 78 intérpretes, compositores e grupos de dez estados ou regiões. Segundo o coordenador do projeto, o cantor e compositor Benjamim Taubkin, 44, a previsão inicial era de 50 artistas. ‘‘Ficamos chocados, no bom sentido, com a qualidade das músicas e com a expressão de linguagens que desconhecíamos’’, afirma Taubkin. São ritmos como choro, pop, samba, rock, funk, jongo, baião, forró, frevo, cantigas, valsas e canções.
A curadoria nacional é do maestro Nelson Ayres, do antropólogo Hermano Vianna e do musicólogo Tiago de Oliveira Pinto. Dez curadores, em níveis regional e estadual, se encarregaram da pré-seleção de 300 artistas. Desses, uma média de oito por cada um dos dez pontos do país ganharam registro em coletâneas de CDs que o Rumos Musicais distribuirá para escolas e instituições culturais e comunitárias.
Esses curadores são Siba (região Nordeste), Salomão Habib (Norte), Roberto Corrêa (Centro-Oeste), Celson Mendes (Maranhão e Piauí), Rio de Janeiro e Espírito Santo (Lui Coimbra), Paraná (Marcelo Sandmann), São Paulo (Edson Natale), Bahia (Joatan Nascimento), Rio Grande do Sul (Arthur de Faria) e Minas Gerais (Carlos Ernest Dias).
Mas as ambições não param por aqui. Os organizadores aproveitam o mapeamento musical para criar um mercado cultural voltado para os artistas rejeitados pela voracidade da indústria do entretenimento, segundo avaliação de Taubkin.
Não apenas aqueles registrados em CD – que não pressupõem os melhores, afirma Taubkin, descartando a dicotomia vencedores/perdedores –, mas os 300 artistas do país terão, futuramente, suas músicas disponibilizadas em MP3 ou Real Audio no site www.itaucultural.org.br.
Será organizado um seminário sobre produção cultural independente, que deverá culminar com o lançamento comercial dos CDs, por Estado ou região, em março de 2001. Naquele mesmo mês, haverá um concerto em São Paulo com parte dos artistas selecionados.
‘‘É um momento único da produção musical brasileira’’, diz Taubkin, para quem o Rumos Musicais, que não visa premiação, mas produção e difusão, é uma boa resposta ao baixo-astral disseminado pelo recente Festival da Música Brasileira, da Globo.

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