Em contraponto ao momento desfavorável à economia brasileira, o Itaú Cultural anunciou na última segunda-feira a liberação de R$ 15 milhões destinados ao programa Rumos 2015-2016. O valor - que será distribuído por meio da plataforma de incentivo à produção artística nacional - sofreu um acréscimo de 8% em relação ao último edital lançado há dois anos. Entre as novidades está a retirada de limites mínimo ou máximo de custo para cada projeto e a organização das propostas em apenas três grandes campos: criação e desenvolvimento, documentação e pesquisa.
Com inscrições abertas de ontem até o dia 6 de novembro, o edital da 17ª edição do programa Rumos continua apostando na desburocratização do processo de seleção dos projetos. "Nosso maior desafio é a ruptura dos vícios que tradicionalmente fazem parte desse tipo de edital. Não estamos aqui para premiar, mas para trabalhar juntos no desenvolvimento dos projetos", enfatizou Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, durante coletiva de imprensa que reuniu mais de 40 jornalistas na sede do instituto localizado na Avenida Paulista, em São Paulo.
Segundo ele, a facilidade para se inscrever foi amplamente aprovada pelos gestores e produtores culturais. "Tivemos mais de 15 mil inscritos no último edital do Rumos. Para se ter uma ideia, a Lei Rouanet – [do Ministério da Cultura] não chega a 10 mil inscritos. Além disso, uma pesquisa entre as pessoas que se inscreveram para o Rumos revelou que 30% delas nunca tinham se inscrito em outro edital. Isso corrobora nossa tese de que é preciso inverter essa lógica dos projetos para que os artistas se sintam motivados a participar do edital", afirmou.
A constante aposta em inovações é apontada por Saron como um dos pilares para a longevidade do programa Rumos. "Estamos quase chegando a 18 anos de iniciativa. É muito difícil no meio cultural ter um projeto tão longevo, principalmente neste momento de crise econômica. Enquanto muitos editais não aconteceram e outros tiveram recursos reduzidos, estamos ampliando o valor destinado aos projetos de R$ 13,9 milhões distribuídos em 2013 para R$ 15 milhões", salientou.
Na 16ª edição, o programa Rumos contemplou 101 projetos. "Buscamos a representatividade de todos os Estados brasileiros para jogar luz a projetos de todas as regiões. Para isso criamos uma comissão nacional formada por 30 profissionais de diferentes áreas que não são do Itaú Cultural e que fazem primeira seleção dos projetos inscritos. A ideia é que cada projeto seja lido por, pelo menos, três pessoas, sendo uma delas especialista da área", explicou Ana de Fátima Souza, gerente do Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural.
Os nomes da comissão prévia não serão revelados antes do resultado final para preservar a idoneidade do processo. Os critérios de seleção a serem observados continuam sendo a singularidade, a relevância e a consistência dos projetos. E, visando facilitar o processo de inscrição, mais uma vez o programa Rumos disponibiliza uma área de perguntas e respostas no site www.rumositaucultural.org.br. "Fizemos uma pesquisa com 97 dos 101 selecionados na edição 2013-2014 e todos afirmaram ter achado o processo de inscrição fácil. Adotamos uma linguagem sem ‘juridiquês’ e este ano reduzimos de 11 para apenas três modalidades de projetos", destacou Ana. Uma caravana do Itaú Cultura percorrerá diversas capitais do País para divulgar as inscrições no programa e esclarecer dúvidas. A lista de projetos contemplados será divulgada no dia 10 de maio de 2016.

* O jornalista viajou a São Paulo a convite do Itaú Cultural
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