RUMO AO SABER - Um mergulho no conhecimento
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segunda-feira, 03 de maio de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Em 1984 a Família Schurmann abandonou uma rotina confortável e tradicional para se aventurar pelos sete mares a bordo de um veleiro. Com os três filhos pequenos, o casal Heloísa e Valfredo tinha como objetivo dar a volta ao mundo e passaram dez anos velejando. Em 1997, em busca da realização de um novo sonho, a família decidiu refazer a expedição de Fernão de Magalhães, que em 1519 viajou contra as rotas tradicionais de navegação, completando a primeira volta ao mundo da história da humanidade. Dessa vez, em companhia da filha Kat, de cinco anos, a nova empreitada durou mais de dois anos e meio.
Motivados por essa história fascinante de perseverança e superação, os alunos do Fundamental 2 da Escola Alfa estão literalmente mergulhando a fundo nesse tema, que acabou gerando o projeto pedagógico deste ano. O trabalho inclui leitura de livros e exibição de documentários.
''Ao ler no ano passado o livro 'Em busca de um sonho', da Família Schurmann, fiquei impressionada com a história de vida deles e percebi o quanto o tema poderia ser aproveitado de forma pedagógica. Os alunos têm dificuldade de associar o conhecimento adquirido na escola com a vida prática e foi uma forma de motivá-los, envolvendo questões de sobrevivência no mar, o estudo das rotas marítimas e a preservação da natureza'', explica a diretora Solange Relberg.
Numa primeira etapa do projeto, um grupo de alunos participou de uma aula de mergulho com o instrutor profissional de mergulho Bruno Welter Giraldes, que também é biólogo e doutor em Oceanografia. A escola tem piscina própria e a natação faz parte do currículo da instituição. Uma aula sobre primeiros socorros, inclusive em caso de afogamentos, também está prevista.
Com roupa apropriada, eles ouviram atentamente as instruções do professor e assistiram a uma demonstração de mergulho com cilindro de ar comprimido. ''É possível aprender a mergulhar mesmo que não se saiba nadar, mas os cuidados básicos servem para todos. Entre eles, nunca se deve parar de respirar durante o mergulho e o mergulho nunca deve ser feito sozinho'', alerta Giraldes.
Outra orientação relevante é que o mergulho não deve ser feito com óculos de natação, com o risco de haver complicações oculares devido à pressão. A indicação é usar máscaras apropriadas para mergulho que são encaixadas no nariz.
Vitória de Abreu, 10 anos, achou muito legal. Pedro de Lucca, 10 anos, também aprovou a iniciativa: ''Deu para tirar muitas dúvidas e não achei difícil'', afirma. O aluno Renan David, 11 anos, elogiou. ''Foi uma forma da gente sair da rotina de uma forma divertida. A história da Família Schurmann é incrível e está motivando o aprendizado de todos'', diz.
A professora responsável pelas aulas de natação da escola, Hélia Gomes Suzuki, ressalta a importância das atividades relacionadas à aprendizagem da natação. ''Acho que os pais devem olhar para a natação como um seguro de vida. Fora a questão da sobrevivência em situações acidentais, saber nadar garante um lazer tranquilo quando envolve passeios em clubes, praias e rios'', garante.
Na disciplina de História, ministrada pelo professor Eduardo Javier Diaz, um mapa-múndi gigante foi confeccionado para ilustrar de forma mais concreta aos alunos de 7 e 8 séries as rotas exploradas pela família navegadora. ''Eles estão bem mais interessados em estudar os mapas. Nós também pesquisamos os aspectos históricos e culturais, além das curiosidades dos lugares que eles visitaram. Os alunos se impressionaram com a história de um lugar onde é comum emprestar o marido para outras mulheres'', brinca Diaz.
Responsável pelas aulas de Artes, o professor Claudinei Rodrigues está focando o aspecto poético do tema. Foram trabalhados poemas de autores nacionais e estrangeiros sobre a água e o mar e os alunos fizeram releituras através de desenhos e colagens. Uma colcha de retalhos com desenhos e relatos dos familiares dos alunos sobre a percepção do mar também está prevista, além de uma investigação histórica sobre a vida dos pescadores.
Nas aulas de inglês, a professora Greci Queiroz trabalhou o vocabulário dos animais marinhos com os alunos de 5 e 6 séries; já a pesquisa cultural dos países de língua inglesa visitados pelos Schurmann foi direcionada aos alunos de 7 e 8 séries. Além disso, o sistema americano de homeschooling, utilizado por pais que educam os filhos em casa, serviu para motivar a troca de correspondências em inglês, via e-mail, entre os alunos daqui e de uma escola da Inglaterra. Maria Eugênia Castro e Alana Paula Monteiros, ambas de 13 anos, estão empolgadas. ''Eles têm a mesma idade que a gente e é muito legal, pois conversamos em inglês assuntos que nos interessam. Eles estranham o fato de não sabermos espanhol e achamos interessante o sistema de ensino deles, em que o ensino médio é todo direcionado para o que vão optar como curso superior'', relatam.


