Rumo à venezuela
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de julho de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Depois de carregar algum tempo o nome da cidade onde nasceu, Alecir de Antonina voltou-se a raízes mais profundas. Buscou o sobrenome do avô e atende agora por Alecir Carrigo. A ancestralidade do sangue e das águas de Antonina vão hoje com ele para a Venezuela. Três dias depois o cantor, compositor e violeiro apresenta-se num evento internacional como o único representante brasileiro.
Estar em palco distante é o resultado de quem há tempos vem jogando garrafas ao mar, mandando mensagens para produtores. Gravo fitas e remeto para que conheçam meu trabalho, relata. Desde o finalzinho de 89, quando trocou Curitiba pelo Rio de Janeiro, depois por Belo Horizonte e São Paulo, a insistência tornou-se ainda maior. Enfim, foi se desfazendo das imagens paternas e ganhando mundo.
Na caminhada descobriu que São Paulo é a terra que recebe e impulsiona para o alto. Esteve nos badalados programas de TV Empório Brasileiro, com Rolando Boldrin, Som Brasil, com Lima Duarte e Viola Minha Viola, com Inezita Barroso. Um ano e meio em Belo Horizonte serviu para mostrar que os mineiros não são nada fáceis - em todo esse tempo não emplacou um único show na cidade. O máximo que conseguiu foi dar uma canja nos botecos.
Agora fui convidado para tocar na Venezuela, diz todo satisfeito. Um representante do festival internacional percorreu capitais como São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte à procura de material. Alecir, o escolhido, terá como pares artistas da Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, México, Cuba e Venezuela.
Carrigo imagina que o som da viola de dez cordas e o ritmo do fandango - sim, ele é um autêntico fandangueiro - tenham conquistado a comissão de seleção dos cartazes. O fandango é uma coisa bem diferente, acho que eles nunca tinham ouvido. O músico adapta outros ritmos brasileiros ao clima, que ele chama de afandangado.
Os venezuelanos ouvirão ainda um número especial feito em parceria com o poeta Alberto Cardoso, que é o fandango paranaense. Impossível ficar de fora A Princesinha do Mangue, homenagem do compositor à sua Antonina. Alecir Carrigo lembrará de seus tempos de cantor de protesto, no final dos anos 70, início dos 80. Outra homenagem, desta vez para o povo venezuelano, virá com a interpretação na viola de uma canção do compositor nativo Ali Primera.
Entre os latinos, porém, aquele que Alecir mais aprecia chama-se Silvio Rodrígues, de Cuba. Aliás, se aparecer na festa uma comissão cubana, pode surgir a oportunidade de se estreitarem os laços e eu poder visitar o país e conhecer meu grande ídolo que é o Silvio Rodríguez. Junto de Taiguara, é o grande poeta lírico, diz o músico. Ele dimensiona sua admiração pelo cubano explicando que lirismo é o supra sumo da arte de qualquer artista.


