O Titãs da década de 80 definitivamente não é o mesmo de agora. Dos 8 integrantes da formação inicial, apenas 4 permanecem na banda: Tony Bellotto, Sérgio Britto, Branco Mello e Paulo Miklos. O último a desertar, por ''motivos pessoais'', foi o baterista Charles Gavin, em pleno carnaval desse ano. O fim dos Titãs, então, está cada vez mais próximo? ''Você vai me responder isso depois do show'', desafia o vocalista e guitarrista Paulo Miklos, durante entrevista antes da apresentação em Maringá, no último final de semana.
Logo no início do show, os cariocas sacam da manga uma porção de clássicos do rock nacional. Sem perder a atenção da plateia ou o ritmo do show, a banda insere, em momentos estratégicos, seis canções do seu novo CD, ''Sacos plásticos''. No fundo do palco, escalado para assumir as baquetas titânicas, o jovem Mário Fabre não decepciona.
Com o rodízio de instrumentos realizado pelos músicos, o show permanece cru, cheio de distorções, guitarras pesadas, sem arranjos mirabolantes, tudo simples e direto, como deve ser um bom show de rock. Faltando dois anos para completar três décadas de rock and roll, parece que os quatro últimos Titãs estão realmente longe de abandonar a estrada.
Como você define o momento que o Titãs está vivendo?
A gente está vivendo um momento muito especial, renovado. Reassumimos os instrumentos, o que trouxe uma pegada, uma estética diferente no som dos Titãs. Hoje, está literalmente em nossas mãos: o show está punk como nunca. Estamos enlouquecendo como no começo.
O que você acha do rock nacional de hoje, com Fresno, Nx Zero e a onda emo?
Eu acho que está bem. É rock and roll! Eles estão conseguindo colocar guitarras distorcidas para tocar no rádio, o que é uma dificuldade tremenda. A gente está quase há três décadas se mantendo e colocando músicas, e sabemos o quanto isso é difícil. Eu sou fã da Pitty, por exemplo (risos).
Faltam apenas dois anos para a banda completar três décadas de trajetória. Como vocês querem marcar esses 30 anos?
Como toda jovem senhora, escondendo a idade (risos)!
No começo dos Titãs, você acreditava realmente que essa longevidade seria possível?
Não, acho que não. Quando a gente começou, vivíamos o hoje. O amanhã sempre esteve longe demais.

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