De Lisboa, Saul Galvão recomenda uma visita à Península de Setúbal, região vinícola que fica logo depois da Ponte da Liberdade, sobre o Rio Tejo. Nessa região, visitas à tradicional José Maria da Fonseca, a casa do Periquita, e à moderna João Pires são indispensáveis. ''As duas vinícolas têm bons vinhos. Na José Maria da Fonseca, o enólogo Domingos Soares Franco está fazendo muitas experiências com vinhos varietais, que levam no rótulo o nome da uva principal, como Touriga Francesa, Touriga Nacional, etc. Além dessa inovações, é preciso degustar o Periquita Clássico, envelhecido em barricas de carvalho, que tem muita classe'', destaca.
A Vinícola João Pires é mais moderna. Seu fundador é da mesma família da José Maria da Fonseca, mas a vinícola foi vendida para um grupo maior. A João Pires faz um dos mais atraentes brancos de Portugal, o Catarina. ''Depois de visitar a vinícola, nada como um bom almoço no porto de Setúbal. O salmonete (a nossa trilha) assado é mesmo delicioso'', afirma Galvão.
Terceira parada: na região do Alentejo, quase uma extensão à leste da Península de Setúbal, o visitante encontra uma cozinha rica e vinhos de primeira, principalmente os tintos, que têm muita concentração de sabor e podem ser provados jovens. Normalmente, são feitos com uvas locais como Trincadeira, Aragonês (Tinta Roriz ou Tempranillo), Alicante Bouschet, Castelão Francês (Periquita) e outras.
A paisagem da região não é das mais inspiradoras. Muitos campos abertos, com vegetação rasteira pontilhada de oliveiras e sobreiros, as árvores que nos dão a rolha. Évora é a cidade mais importante do Alentejo. As ruínas romanas são muito interessantes, mas para quem gosta de comer bem a maior atração é o famoso restaurante Fialho, da família Amor. ''Os donos fazem jus ao nome. É bom reservar uma noite e ficar nas mesas ao lado do balcão, onde ficam muitas especiarias, as 'pequenas entradas'. Depois de provar várias delas, os mais valentes podem pedir o prato principal e voltar andando para o hotel para queimar as calorias'', brinca Galvão.
Os vinhos da Fundação Eugênio de Almeida são os destaques em Évora, entre os quais o famoso Pera Manca e o Cartuxa. Também devem constar da lista dos apreciadores de um bom vinho português o Tapada do Chaves (que ganhou notoriedade ao ser servido para o presidente Fernando Henrique Cardoso), Tinto Velho (hoje da José Maria Fonseca Sucessores), Herdade do Esporão (feito com uvas locais), Quinta do Carmo (controlado pelo Domaine Baron de Rothschild, do Château Lafite), Marques do Borba (do grande enólogo João Portugal Ramos), Herdade do Mouchão (de Sousel), Porta da Ravessa e Tapada dos Coelheiros (de Arraiolos).

mockup