Dizer que seu próximo filme será o responsável por uma revolução na forma de se ver e fazer cinema é uma declaração, no mínimo, arrogante. Mas quando se trata do diretor canadense James Cameron, é melhor dar um crédito. Há 12 anos, ninguém acreditou que seu ''Titanic'', adiado por inúmeros problemas nos bastidores, seria o sucesso alardeado por ele. Deu no que deu: US$ 1,8 bilhão arrecadado mundo afora e 11 oscars para enfeitar a estante.
O desafio, dessa vez, foi tirar do papel uma produção que simplesmente não poderia ser realizada com os recursos tecnológicos de 14 anos atrás, quando começou a ser pensada por Cameron. Filmada com um novo sistema 3D e orçada em US$ 230 milhões, a ficção científica ''Avatar'', que estreia hoje em 600 salas brasileiras, promete entregar ao espectador uma experiência totalmente inédita. E cumpre.
Nas quase três horas de projeção, o que se vê é um espetáculo visual que embaralha imagens reais e forjadas por computação. Os personagens digitais são tão convincentes que chegam a emocionar, graças à combinação equilibrada do trabalho de atores e artistas gráficos. No entanto, nada disso funcionaria sem um roteiro minimamente interessante como pano de fundo.
''Avatar'' começa com a chegada do ex-soldado paraplégico Jake Sully (Sam Worthington, do último episódio da série ''O Exterminador do Futuro'') ao planeta Pandora. Um lugar onde os recursos naturais continuam intocados, e que por isso mesmo virou alvo da ação predatória dos humanos - que, a esta altura do campeonato, já arrasaram a Terra. Contratado por uma corporação que explora a riqueza mineral daquele solo, Sully participa de um projeto ousado: conectar-se a um clone dos habitantes locais e, assim, tornar-se um deles.
Ele só não esperava que se envolveria tanto com os Na'vi, criaturas azuis de 3 metros de altura plenamente integradas à natureza. Apaixonado por uma ''nativa'' e solidário ao povo ameaçado, Sully passa a liderar uma guerra contra os mercenários a serviço da companhia. Aliás, praticamente meia hora de filme é dedicada aos combates, marcados por cenas vertiginosas.
Construído a partir de diversos arquétipos das histórias clássicas de aventura, ''Avatar'' também contém um pouco de tudo o que o diretor já fez. Há o romantismo de ''Titanic'', as máquinas de ''Alien - o Resgate'' (e a própria Sigourney Weaver numa ponta), os vilões frios de ''O Exterminador do Futuro'', o encantamento de ''O Segredo do Abismo''...
Se vai mesmo revolucionar toda a indústria do cinema? É muito cedo para dizer. Mas, como entretenimento, rende as melhores três horas dos últimos tempos. A dica é deixar a desconfiança de lado e imergir nessa fantasia.

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