Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Novos ventos sopram as velas da música instrumental brasileira. O suingue carioca está ganhando uma levada diferente que associa choro, jazz, samba e funk, uma verdadeira mistura desenvolvida com a composição ‘‘Pagode Jazz Sardinha’s Club’’, de Rodrigo Lessa e Eduardo Neves. A faixa é um dos destaques de ‘‘Nó na Garganta’’, novo disco do grupo Nó em Pingo D’Água.
As novidades do CD se estendem a uma sonoridade mais eclética, com a interpretação de faixas que fogem um pouco à linguagem que vinha sendo trabalhada em discos como ‘‘João Pernambuco - 100 Anos’’, lançado em 1983, ou ‘‘Salvador’’, de 1988.
Neste quarto álbum, chamado ‘‘Nó na Garganta’’, os instrumentistas não ignoram o choro, mas partem para caminhos diversos. Com exceção de duas faixas, todas as músicas foram compostas por pessoas do grupo. Uma delas é a que dá título ao CD, uma homenagem de Guinga, que comparece na voz e violão.
O disco traz também ‘‘Tristorosa’’, uma valsa que Villa-Lobos compôs sob o pseudônimo de Epaminondas Villalba. Expoente nascido entre chorões, o Nó em Pingo D’Água alimenta há mais de dez anos a idéia de gravar obras de Villa-Lobos. Neste caso, foi acrescentada uma letra feita por Cacaso pouco antes de sua morte, cantada no CD por Leila Pinheiro.
Os rumos ecléticos - registrados em CD independente, e a torcida é para que algum selo cuide da distribuição - resultaram num lançamento cuidadoso. Sem pressa para gravar, os músicos embarcaram em uma produção detalhista, com bom trabalho de mixagem e encarte - que apresenta um texto elogioso de Ivan Lins. A capa é de Elifas Andreato.
Depois de duas décadas de estrada, este é o primeiro disco do Nó em Pingo D’Água em que a banda passa de intérprete e arranjadora para mostrar composições de seus integrantes. ‘‘Há algum tempo que a gente vem compondo, e ficamos pensando qual seria o momento de gravar. É um repertório grande e a seleção foi difícil. Pegamos algumas músicas que já tocávamos em palco’’, comenta o saxofonista e flautista Mário Seve. O grupo é composto ainda pelo percussionista Celsinho Silva; Papito no baixo; Rodrigo Lessa no bandolim e violão de aço; e o violonista Rogério.
No repertório, ainda se destacam ‘‘Luiza’’, de Papito; ‘‘Valsa da Noite’’, de Mário Seve; e ‘‘Conversa Fiada’’, de Rogério Souza. ‘‘A música ‘Iluminada’, de Celsinho Silva, foi praticamente criada em estúdio, em cima da levada do pandeiro. ‘Valsa da Noite’ tem uma resposta muito boa do público’’, explica Mário Seve. Além da qualidade sonora, o trabalho independente traz a espontaneidade de quem driblou as artimanhas do mercado. O Nó em Pingo D’Água chega aos 20 anos com maturidade e diversificação.
•O disco ‘‘Nó na Garganta’’ pode ser encomendado através da homepage www.noempingodagua.com.br.

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