Tikal - Passada a vertigem, vem o deslumbramento. A 57 metros do solo, após enfrentar uma centena de degraus de madeira, incrivelmente íngremes, surge a sensação de onipotência. Estamos no alto do ''Templo 5'', uma das pirâmides mais bonitas do Parque Nacional de Tikal, construída por volta do ano 600, onde os maias faziam seus rituais e sacrifícios antes da chegada dos espanhóis. Lá, bem acima da copa das árvores, voltamos no tempo e nos sentimos um pouco reis.
A Guatemala palavra indígena que significa ''entre árvores'' é considerada o ''coração do mundo maia'', centro cultural e geográfico de uma das maiores e mais prósperas civilizações antigas, que tinha conhecimentos avançados de matemática, astronomia e arquitetura. Eram politeístas e acreditavam na vida após a morte. O primeiro espanhol a chegar foi Pedro de Alvarado, em 1523. Dois terços da população indígena foram massacrados pelos conquistadores.
Os maias viviam em organizações semelhantes a cidades-Estado e guerreavam constantemente entre si. As ruínas de Tikal mostram os resquícios de uma das maiores cidades maias, povoada por nobres. Acredita-se que, nos seus 16 quilômetros quadrados, tenham morado de 50 mil a 100 mil pessoas. Em 1979, o local foi declarado Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela Unesco.
A cidade já em ruínas, totalmente deserta foi encontrada por monges espanhóis, no século 16, e desbravada por expedições no século 19. As primeiras imagens datam de 1892. Não se sabe o que aconteceu ali a cidade pode ter caído por causa de guerras, de doença, fome ou simplesmente ter sido abandonada. ''É um mistério'', conta o guia Hugo Gutierrez.
Do alto dos 70 metros do Templo da Serpente Bicéfala, a paisagem é admirável: o Gran Jaguar, pirâmide de 45 metros, suntuosa, no conjunto da Plaza Mayor. Foi erguida por volta do ano 700.
O Parque de Tikal é bem organizado e policiado havia alguns anos, eram comuns os assaltos a turistas. Há um pequeno e aconchegante hotel ali dentro, para os que quiserem explorar as ruínas logo cedo ou ficar até mais tarde, quando os últimos raios de sol iluminam o topo das construções. É o lugar mais procurado pelos europeus e amantes da história antiga por lá passam 250 mil pessoas por ano.
Para chegar às ruínas, é preciso caminhar em meio a uma floresta tropical, com altíssima umidade e temperatura sufocante. Vá com roupas leves, especialmente no verão, e leve água. Aproveite para fotografar os macacos-aranha e os escandalosos macacos-congo, além de 300 espécies de pássaros e uma flora exuberante. Placas indicam a localização das principais ruínas.
Se você não tiver o privilégio de passar mais um dia por lá, explorando cada detalhe daquele lugar, priorize a ida até as escavações na Praça dos Sete Templos. Ali, um interessante trabalho de arqueólogos de custo estimado em 10 milhões tenta revolver a terra e revelar edificações gigantescas. É uma emoção atrás da outra. Mas nada supera mesmo a vista do alto das pirâmides: não é todo dia que nos sentimos donos do mundo.

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