Arthur Eidam, um fotógrafo que aprendeu a colorir a vida das pessoas. O pioneiro da arte fotográfica cambeense, que morreu em 2008, aos 91 anos tocando violino - outra paixão do descendente de alemães - tem a obra reunida no caderno ''Cambé nas Lentes de Arthur Eidam '', lançado pelo Museu Histórico da cidade.
Com um pincel, Eidam costumava colorir as fotografias em preto e branco, técnica que fez sucesso antes dos filmes coloridos.
Procissões, casamentos, batizados, o dia a dia dos moradores do povoado de Nova Dantzig, como era conhecida Cambé, ganhavam um colorido especial, revelando mais do que os costumes de uma época, mas também a sensibilidade de um artista que queria ser perfeito no que fazia.
Autodidata, ele reconheceu as limitações do início de carreira em depoimento registrado em vídeo e que faz parte do acervo do museu.
''Eu já tinha um concorrente com um pouco mais de prática que eu. Ele me deu muito que fazer. Foi bom porque, com isso, me esforcei. O duro foi querer fazer o serviço bom e não saber'', revelou Eidam.
O caderno reúne uma seleção de imagens do acervo de 1.200 negativos doados pela família do fotógrafo ao museu e foi lançado com apoio da Petrobras.
São fotos da própria família Eidam, como do casamento com Edith, a casa onde nasceu em Bom Jardim, e também de cenas cotidianas da cidade.
Imagens como as de moradores driblando o barro na Avenida Inglaterra, uma das principais de Cambé, ou de estudantes em frente ao Grupo Escolar Olavo Bilac, depois de um desfile cívico, e de um baile no Harmonia Tênis Clube, com animação de Gorni e sua Orquestra, em 1950.
Eidam abriu o Foto Arthur, em 1940, registrando o desenvolvimento de Cambé até 1972, quando decidiu fechar o estúdio.
''Nós ficamos sabendo que o seo Eidam tinha um grande número de negativos e, a partir daí, começamos a classificar e acondicionar esse material, publicando também o caderno fotográfico, que será distribuído nas escolas. Também fizemos 20 banners, que serão expostos na rede de ensino para que os estudantes conheçam o trabalho do fotógrafo pioneiro'', afirma o diretor do Museu Histórico de Cambé, César Cortez, acrescentando que a família do fotógrafo doou mais 3.200 negativos de Eidam, que compõem um acervo importante de resgate da memória de Cambé.

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