Uma nova mania se espalha pela salas da Universidade Estadual de Londrina. É o RPG, o role playing game, um jogo de aventura que vem conquistando cada vez mais adeptos durante aulas vagas, depois de assembléias de curso e antes de reuniões em Centros Acadêmicos.
A infiltração do jogo no campus chamou tanto a atenção do estudante Juliano Alves, 23 anos, que ele resolveu ministrar uma oficina sobre o jogo ao lado de Eugenio Bellini, 18 anos. O primeiro estuda Ciências Sociais e o segundo Física, ambos são praticantes fanáticos de RPG. A oficina começa amanhã às 16 horas na sede do DCE (Rua Hugo Cabral esquina com a rua Piauí) e será realizada sempre aos domingos.
‘‘A idéia é difundir o jogo entre os universitários mostrando que o RPG diverte, mas também cria o hábito da leitura, além de estimular a imaginação e o sentimento de coletividade’’ – explicam os dois. A programação inclui uma explanação geral e didática sobre RPG, organização de mesas de jogos com variadas ambientações, dicas para se tornar um ‘‘mestre’’ e até uma Live Action.
Bem, se você leu até aqui e está boiando sem saber o que significa a enigmática sigla, vamos ao básico: RPG é um jogo inventado na década de 70 nos Estados Unidos onde cada participante escolhe um personagem e passa a se comportar como ele criando com os demais uma história a partir de um início pré-estabelecido.
É um jogo de representação que funciona como uma peça de teatro cujo roteiro ainda não foi escrito. Só a ambientação já está criada por uma espécie de diretor, chamado de ‘‘mestre’’. É ele quem decide as consequências das ações dos jogadores, que devem seguir as regras básicas da aventura escolhida. Esta pode ser uma saga de capa e espada, uma ficção científica ou uma história de terror.
No Brasil, o RPG começou a fazer a cabeça dos primeiros simpatizantes na metade da década de 80, trazido por estudantes de intercâmbio que teriam contato com ele no exterior. Em Londrina, houve uma onda de RPG há cinco anos, praticada em boa parte por adolescentes que se reuniam em torno da Batbanca. Havia até uma associação (ARENA) formada pelos adeptos.
Posteriormente, o RPG foi substituído pelo Magic (outro jogo de salão) na preferência da turma. Mas, segundo Juliano, está havendo um retorno de interesse nesta temporada. ‘‘Só que agora entre os universitários’’ – garante. Ele atribui a mudança de perfil dos adeptos à própria evolução do criadores de jogos e do mercado editoral, que estariam publicando histórias com temática adulta.
Empolgado, Juliano acredita que 2001 será o ano do RPG. A aposta está ancorada na leva de produções cinematográficas que começa a chegar às telas neste final de ano trazendo adaptações de jogos. É o caso de ‘‘Dungeons and Dragons: The Movie’’, previsto para estrear esta semana nos Estados Unidos transportando para o cinema o mais famoso RPG do mundo.
Também está ganhando uma versão hollywoodiana a aventura medieval ‘‘Senhor dos Anéis’’, de Tolkien. Tais obras, por serem clássicas, serão citadas ao longo da Oficina que os dois estudantes irão ministrar a partir desse domingo em Londrina e cujo programa inclui os RPGs ‘‘Vampiro, a Máscara’’, ‘‘Lobisomem, o Apocalipse’’, ‘‘Gurps’’, ‘‘Millenia’’ e ‘‘Call of Cdhulhu’’.
Ao final da Oficina está prevista uma Live Action, aventura onde os participantes realmente simulam as situações com figurinos, trilha sonora e armas (falsas). Mais informações pelo telefone (43) 9998-2863.

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