Roxette retorna com disco saudosista
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segunda-feira, 04 de abril de 2011
Felipe Branco Cruz <br> Agência Estado 
São Paulo - Entre os anos 1980 e 1990, a voz de Marie Fredriksson foi uma das mais ouvidas nas rádios de todo o mundo. Para confirmar, basta observar os números. Nesse período, o dueto - formado por Marie e seu parceiro musical, o cantor e compositor Per Gessle - vendeu mais de 75 milhões de álbuns pelo planeta. Com a carreira marcada por sucessos incontestáveis - como ''The Look'', ''Listen To Your Heart'', ''It Must Have Been Love'' e ''Joyride'' -, Roxette estava sem gravar há 10 anos. Seu último álbum de inéditas, ''Room Service'', foi lançado em 2001. Por isso, foi com um misto de alívio e felicidade que os fãs da banda celebraram a chegada do novo álbum do dueto, ''Charm School''. É o oitavo disco da dupla.
O longo hiato foi motivado por um câncer no cérebro que acometeu Marie, diagnosticado em 2002 e a respeito do qual ela manteve segredo por dois anos. No final do ano passado, já curada do câncer, a cantora anunciou uma nova turnê internacional. E o Brasil está no roteiro, que passará por Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.
Na capital paulista, eles farão dois shows, nos dias 14 e 19 deste mês. A banda Ludov abrirá a apresentação. No comunicado à imprensa, Gessle afirmou que essa turnê ''é um grande milagre'' e Marie disse estar ansiosa para rever seus fãs novamente. O grupo já se apresentou três vezes no Brasil: em maio de 1992, em março de 1995 e em junho de 1999, quando da divulgação do álbum ''Have A Nice Day''.
RESGATE SONORO
O novo disco é um retorno em grande estilo às canções do passado. É sensível o esforço da dupla em resgatar a sonoridade dos anos 1980 e 1990. Percebe-se que algumas novas canções têm um ar saudosista das músicas dos discos ''Look Sharp!'' (1988), ''Joyride'' (1991) e ''Crash! Boom! Bang!''(1994). Bom exemplo é a canção que abre o álbum, ''Way Out'', com os vocais cheios de ecos de Gessle. A música tem uma pegada country e ritmo viciante. Marie entra no meio da faixa, durante o refrão, com seus tradicionais agudos.
A terceira canção do disco, ''She's Got Nothing On (But The Radio)'', é o single de trabalho. Com riffs de guitarra, refrões que pegam com facilidade e excessos no uso de sintetizadores, a música certamente teria se tornado um dos hits da banda, se tocasse nas rádios na década de 80. Hoje, porém, ela soa datada, como se tivesse sido retirada do fundo do baú. A mesma levada é sentida em ''Speak To Me'' e em ''Only When I Dream'', nas quais Marie pode mostrar toda a sua potência vocal. O álbum mescla canções interpretadas por Marie e Gessle, exatamente como nos outros discos.
O melhor do CD, no entanto, está no fim, com ''Dream On'' e ''Big Black Cadillac'', duas composições dançantes. Em seguida, vem ''After all'', que traz alguns solos de ''Octopus Garden'', dos Beatles. A parte romântica fica por conta de ''I'm My Own Way'' e ''Sitting On Top of the World'', que encerram o álbum. Por mais que o disco soe um tanto quanto saudosista, ele é muito bem feito e com canções para não deixar nenhum fã do Roxette decepcionado. Agora, é esperar os shows que a dupla fará no Brasil, para conferir sua performance ao vivo.


