Mudar de escola pode ser um desafio para muitos alunos. Ter que deixar de conviver com velhos amigos e professores que já se conhece há bastante tempo e não mais estudar em um ambiente familiar pode ser um processo doloroso, mas também uma forma de amadurecer e vivenciar experiências novas.
E há casos de mudança de escola na mesma cidade, de outros estados e até de países, o que torna essa experiência ainda mais significativa. É o caso da família africana Arriaga, que veio há um ano da Guiné-Bissau para Londrina. Com quatro filhos em idade escolar - Armando, 15; Moisés, 11; Carol, 8 e Débora, 5 -, a grande preocupação era saber se além dos filhos se adaptarem ao Brasil, iriam se sentir bem na nova escola e conseguir acompanhar adequadamente os estudos.
Cursando o segundo ano de graduação em teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana, Moisés Arriaga, 36 anos, que integra um trabalho missionário evangélico, lembra com satisfação o primeiro dia de aula dos filhos no Colégio PGD, onde as crianças estudam como bolsistas. ''As crianças foram muito bem recebidas, com abraços pelos colegas, que também tinham muitas perguntas para fazer sobre o nosso país'', contou Moisés.
Segundo ele, essa receptividade acolhedora favoreu muito a adaptação das crianças, que no começo tiveram um pouco de dificuldade devido ao português falado no Brasil, mesmo o português sendo a língua oficial em seu país de origem. ''Como fomos colônia de Portugal até 1974, conhecemos o português, mas o crioulo guineense é a língua que usamos no dia a dia, que é uma mistura de português, francês e alguns dialetos africanos'', informou.
O ritmo de estudo mais puxado aqui também chegou a preocupar, pois as crianças estudavam em uma escola particular em Guiné-Bissau, mas com sistema de escola pública. ''No começo foi um pouco difícil, mas agora eles estão indo bem'', acrescentou o pai.
Sobre o receio de os filhos sofrerem preconceito racial, Moisés afirmou que isso não chegou a ser um problema, pois a referência que tinham era de uma boa convivência com pessoas de outras raças e nacionalidades. ''Como eles nunca vivenciaram uma situação de preconceito, agem com naturalidade'', pontuou.
Hoje os quatro irmãos são muito populares no colégio e a família também cresceu com a chegada da pequena Vitória, de 4 meses. As típicas trancinhas feitas nos cabelos das meninas - e até do bebê - com capricho extremo da mãe Quinta Embana Arriaga, 33 anos, também chamam a atenção pela beleza e graciosidade. Além da família em si ser uma referência contínua de unidade, harmonia e integração para outros alunos, funcionários e professores.
Outro exemplo de mudança de escola, mas, desta vez, constante, é o de Stéfany Stevanovich, 10 anos. Aluna circense, ela sempre está mudando de escola conforme o roteiro de apresentações do circo de sua família e adora esse estilo de vida. ''O circo é a minha vida e acho ótimo sempre ter a oportunidade de conhecer novos lugares e fazer mais amigos, com quem costumo manter contato pelo MSN'', destacou.
Com amparo legal que permite esse tipo de estudo ''itinerante'' e garante uma vaga em escola pública sempre que for necessário, os alunos circenses seguem o cronograma normal de conteúdos e fazem as provas bimestrais normalmente nas cidades em que estão na época desse tipo de avaliação. ''Mesmo que o circo fique apenas três dias em uma cidade, vamos à escola e às vezes ficamos um período maior para reforçar os estudos, mesmo quando a trupe já partiu para outro destino'', complementou Stéfany, que pretende cursar veterinária.

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