Conhecer um lugar é mais que admirar suas paisagens e voltar com belas fotos para casa. É poder guardar, no fundo da memória, impressões impossíveis de serem captadas por lentes, mesmo das câmeras mais potentes. Entre essas, uma das que trazem as melhores lembranças estão ligadas à culinária. Experimentar os pratos típicos de uma região, seus temperos, aromas e sabores, é fazer parte da cultura do local. E, sobretudo, uma delícia.
O Brasil tem o privilégio de ter uma gastronomia altamente diversificada, mas pouco explorada turisticamente. ''O País ainda não conseguiu mostrar todo o potencial'', diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci. ''Queremos que a gastronomia seja um diferencial para o turismo nacional, como é na França e na Espanha, por exemplo.''
''A gastronomia pode agregar valor a um roteiro ou até ser o próprio roteiro'', explica o consultor de Turismo do Sebrae, Dival Schmidt.
A partir dessa premissa, a operadora Matueté (www.matuete.com/viagens) investiu na criação de um programa de viagens gastronômicas. Contratou o renomado chef Laurent Suaudeau para elaborar pratos requintados, mas sem perder os elementos da culinária típica de cada local: Pantanal, Angra dos Reis, Amazônia e Sul da Bahia. Também foi feita uma parceria com a Enoteca Fasano, cujo sommelier, Gianni Tartari, ficará responsável pela seleção dos vinhos servidos nas refeições.
Com 25 anos de experiência na combinação da clássica cozinha francesa com ingredientes brasileiros, o chef Laurent considera a iniciativa uma forma de divulgar a gastronomia do País, tanto para brasileiros quanto para estrangeiros, que compõem 50% da clientela da Matueté. ''Apesar de existir lá fora uma resistência em entender o que temos de diferente, o interesse está crescendo'', diz.
Durante um ano, foram feitas visitas às regiões para a pesquisa dos seus pratos típicos. Um morador de cada um dos locais passou para o chef Laurent as receitas e a forma de manusear os ingredientes. O menu criado para o Pantanal, por exemplo, conta com carne de jacaré e piranha. Angra dos Reis traz uma mistura de frutos do mar com a cozinha mineira, influente na região. No pacote da Amazônia não poderiam faltar o pirarucu e o tucupi - usado pelos índios para conservar a caça. E, na Bahia, os turistas poderão degustar uma adaptação do acarajé, além de lagosta e robalo.
Os roteiros da empresa têm duração máxima de quatro dias e custam entre R$ 5,5 mil e R$ 6,9 mil (o valor não inclui a parte aérea). ''Nosso público-alvo são pessoas que já consomem alta gastronomia e têm vontade de conhecer o Brasil'', explica Robert Betenson, sócio da Matueté.
É difícil encontrar roteiros consolidados onde a gastronomia seja o principal produto. Durante dois anos, o jornalista Chico Junior pesquisou e visitou todo o País, em busca das peculiaridades culinárias de cada região. Dessas viagens surgiu o livro ''Roteiros do Sabor Brasileiro'', que detalha as iguarias tradicionais espalhadas - e muitas vezes escondidas - pelo Brasil.
''É um mercado que ninguém descobriu, nem os empresários, nem operadores e nem mesmo os turistas'', diz Chico Junior. ''As prefeituras e operadoras precisam se estruturar para isso.'' Segundo ele, apesar de não haver roteiros consolidados, quem quiser consegue fazer um bom tour gastronômico por conta própria.
Nas primeiras páginas de seu livro, o jornalista afirma que o turismo gastronômico não se resume apenas a comer nos restaurantes regionais. ''É acompanhar a produção de um queijo, ver como se faz uma verdadeira cachaça artesanal, conhecer a pesca nas comunidades ribeirinhas'', escreve. E ele tem razão. (Colaborou Rafael Barifouse)

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