Salvador - A partir do Elevador Lacerda que serve de ligação entre as Cidades Baixa e Alta , o visitante encontra uma série de passeios em que sempre verá a Baía de Todos os Santos.
Pertinho do elevador está o Mercado Modelo, um dos principais pontos-de-venda de artesanato regional. Embora seus preços sejam mais baixos que os encontrados no Pelourinho, por exemplo, não deixe de pechinchar: o turista sempre consegue salvar uns bons reais do preço inicialmente oferecido. Um detalhe que faz a diferença no mercado é que hoje em dia seus vendedores geralmente conseguem ficar dentro das lojinhas, sem assediar, seguir ou pressionar o visitante a levar um produto. Há menos de dois anos, a situação era completamente outra.
Depois, usando seu lado de viajante independente, pegue um ônibus perto do elevador e siga em direção ao Bonfim, onde está a igreja cujas escadarias são lavadas pelas baianas do candomblé. Isso ocorre porque na religião africana o Senhor do Bonfim tem correspondência com Oxalá, o deus maior do candomblé.
Ao olhar a escadaria pela primeira vez, impossível não sentir uma pontinha de decepção. É que pela TV, com todas aquelas baianas de branco trabalhando e cantando, ela parece bem maior do que é na verdade, são apenas sete degraus.
Tido como milagreiro, o Senhor do Bonfim popularizou-se. Tanto que católicos e praticantes do candomblé seguem a tradição de amarrar uma fita no pulso com três nós, cada um representando um pedido. Muitos dos que foram atendidos deixam fotos e réplicas de membros humanos na sala de ex-votos. Quem quiser arriscar e também trazer o souvenir para amigos e familiares, encontrará em lojinhas próximas da igreja.
Do Largo do Bonfim dá para seguir a pé para a Ponta do Humaitá o limite extremo da Península de Itapagipe, um braço de terra que avança para a Baía de Todos os Santos , onde há um farol. Ali estão a Igreja e Mosteiro de Mont Serrat (dos séculos 16 e 17, respectivamente), além do Forte de Nossa Senhora do Mont Serrat, que guarda um museu de armas.
Mas se a idéia for só curtir o visual, sente e aproveite, especialmente se dali a pouco for hora do pôr-do-sol. A vista, que mostra as Cidades Alta e Baixa e as três maiores ilhas da Baía de Todos os Santos Itaparica, Maré e a dos Frades é imperdível.
Bateu a fome? Ali perto, na Ribeira, região onde vivem muitos pescadores, os turistas vão encontrar barracas e bares à beira-mar bem simples, que servem deliciosas e fartas moquecas, caldeiradas e outras especialidades baianas. A diferença é que, frequentados por gente da cidade, os estabelecimentos têm preços bem mais em conta.
A sugestão para a sobremesa são outros sabores da terra: sorvete de tapioca, cajá, umbu, mangaba, pitanga, cacau e outras dezenas de sabores tropicais direto da fruta. Onde? Na tradicional Sorveteria da Ribeira, no número 87 da Praça General Osório.
Outro ponto disputado para curtir o fim de tarde é o Farol da Barra, no extremo oposto à Ponta de Humaitá e palco de grandes eventos, como réveillon e carnaval. A subida ao antigo farol de ferro, de origem francesa e que ainda hoje funciona (tem alcance de 70 quilômetros), é proibida, mas vale a pena visitar o Forte de Santo Antônio da Barra.
Além do Museu Náutico da Bahia, o forte também abriga o Café do Farol. No cardápio da casa há de tudo um pouco: crepes doces e salgados, filés com vários acompanhamentos, moquecas de peixe e camarão, caldos e petiscos como escondidinho e arrumadinho, feitos com carne-seca , entre outros pratos. Para acompanhar essas maravilhas, cai bem uma caipirinha que pode até ser de pimenta, umas das invenções do café e a bela companhia do céu e do mar soteropolitanos. (K.A.)

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