Roteiros culturais e gastronômicos
Salvador - Aproveite para olhar a Baía de Todos os Santos, do alto. O Forte de São Marcelo, cercado de um marzão de perder de vista até Itaparica e outras ilhas menores. Vá em frente. Da Praça Municipal, outra espiada lá para baixo: o Mercado Modelo, o velho casario do Comércio, a Rampa do Mercado (onde desembarcavam frutas e cerâmica do Recôncavo e onde hoje os meninos dão mergulhos e ancoram lanchas que vêm de Mar Grande).
De Elevador Lacerda o mais manjado cartão-postal da cidade, agora mais veloz e cheio de bossas chega-se à Cidade Baixa. Pelo preço (R$ 0,05) você pode descer e subir montanhas de vezes. A uns 50 metros fica a belíssima Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia.
Na Avenida de Contorno, a meio caminho entre a parte alta e a baixa da cidade, o Solar do Unhão, conjunto arquitetônico belíssimo erguido no século 17. Era uma residência, com a parte de cima para os donos e a de baixo para os escravos, fonte, aqueduto, chafariz, igreja, cais, galpões. Reformado, em meados do século 20, o solar passou o Museu de Arte da Bahia, com espaços e janelas amplas, que dão vista para a baía, e um restaurante. A recuperação ambiental do entorno permitiu a criação de um espaço cultural e artístico, o Parque das Esculturas.
Nem precisa gastar com táxi. Bem na frente do Elevador Lacerda, na parte baixa, passam ônibus para o Bonfim. Pegue um deles. Suba a pé a Colina Sagrada. Entre na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim e sinta a energia. Não é à toa que tantos baianos vão ali rezar, pagar promessas. Ele é Oxalá no sincretismo religioso, festejado nas sextas-feiras. Por essa razão, quem acredita se veste de branco. Vá à sala de ex-votos e sinta o drama. Mas não se demore, porque a Pedra Furada o espera. Logo ali, do lado.
Conhecido até então só pelos moradores da cidade o bairro se resume a pouco mais que uma rua estreitinha, numa encosta, à beira-mar, com casas modestas , a Pedra Furada acabou virando ''point''. A notícia correu de boca em boca a comida é ótima, feita na hora e baratinha e os ''estrangeiros'' começam a chegar. ''Acabei de receber uma ligação da Dinamarca'', conta Ednei de Souza Ribeiro, 42 anos, o Marujo, dono do bar do mesmo nome, no largo da Pedra Furada. É assim que se deve procurar pelo restaurante.
Se disser Rua Rio Negro, 25, ninguém sabe onde fica. Durante o dia, Marujo pesca. À noite, faz as iguarias que serve em sua própria casa, simples, decorada com golfinhos de madeira. ''De dia, o sol é muito quente. Quando ele vai baixando, eu boto as mesas''. O restaurante funciona de terça a domingo, das 18 até ''altas horas''. Se quiser almoçar, porém, basta ligar para o (71) 316 -3296 e avisar.
Marujo prepara na frente do freguês uma moqueca de camarão que sai por R$ 30,00; de lagosta, por R$ 35,00; e de polvo, por R$ 25,00. Todas elas servem três pessoas, com sobra. Até o arroz é feito na hora. A comida é tão boa que inclusive a vizinha, que tem restaurante, vai comer o siri mole do Marujo. No cardápio, também há outros tipos de delícias: robalo, cavala, badejo e lambreta, caranguejo, siri, caldo de sururu. Marujo garante que o prato não demora mais que dez minutos para ficar pronto. Bem...
Bem perto do largo do Bonfim fica o Mirante da Sagrada Família, que permite uma visão das cidades alta e baixa. O mesmo caminho vai dar na Ponta do Humaitá, que também oferece uma bela vista das duas partes da cidade, da baía e das três maiores ilhas. Um farol orienta os navegantes que entram na baía. O pôr-do-sol ali é de embasbacar. Caminhando mais um pouco, chega-se ao Forte de Nossa Senhora do Monte Serrat, outra maravilha.
Ainda que tenha anoitecido, o passeio pode terminar com um sorvete no extremo da Península de Itapagipe, na Sorveteria da Ribeira (Praça General Osório, 87). A Ribeira é um daqueles bairros onde as pessoas ainda colocam cadeira na porta de casa para conversar. Pode-se escolher entre 50 sabores de fruta de verdade. Só para dar água na boca: mangaba, pitanga, manga, jaca, tangerina, umbu, amendoim, milho verde. Os que têm mais saída são os de coco, cajá e tapioca. Uma bola custa R$ 1,70 e duas, R$ 2,50.





