Roteiro premiado resgata cultura popular
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Luiz Claudio Oliveira Curitiba 
A cineasta curitibana Berenice Mendes foi premiada no concurso nacional de roteiros de curta-metragens organizado pelo Ministério da Cultura. Ela foi a única paranaense selecionada entre os mais de 500 inscritos e 40 selecionados em todo o país. O roteiro de Rosinha, minha sereia é um musical baseado em lendas e histórias do fandango que deverá ter cerca de 15 minutos e ser concluído em três meses.
A idéia para o argumento saiu de uma música tradicional do fandango paranaense coletada pelo músico e pesquisador Alecir Carrigo. Berenice adaptou a música que é a história de um pescador que numa festa relembra cantando do grande amor de sua vida, a cabocla Rosinha, que tranforma-se numa sereia.
O filme tem o tempo de um dia, com o pescador participando de um arrastão - método de pesca reunindo vários pescadores - à tarde quando se desentende com um companheiro e acabam se desafiando para uma cantoria durante um festa à noite, quando então é revelada a história de Rosinha.
O filme reúne o que há de mais representativo da cultura popular paranaense, afirma Berenice. Vai ser trabalhoso de filmar pois 70% dele deverá ser rodada à noite e com lua cheia, o que implica levar um pesado equipamento de luz para a beira da praia e também trabalhar com muitos bailarinos e cantadores.
No entanto, como o prazo do concurso estipula que o filme deve ser concluído em três meses, ela já está em estado de alerta com a sua produtora, a Documenta Filmes, para iniciar o projeto o mais rápido possível. Com o prêmio ela receberá, possívelmente na próxima semana, os R$ 40 mil a que tem direito. Calculamos que com os apoios que deveremos receber, poderemos rodar e editar este curta com cerca de R$ 90 mil, conta a cineasta.
Berenice Mendes já foi premiada outra vez, em 1988, com o roteiro de Drama da Fazenda Fortaleza, que conta a história de outro amor impossível. Esse filme seria rodado na região dos Campos Gerais, com atores famosos, mas ela nunca chegou a ver a cor do dinheiro. Quando estava na sua vez de receber o financiamento, veio o desastre do governo Collor que acabou com a Embrafilme e feriu gravemente o cinema nacional.
Pretendo retomar o projeto do Drama da Fazenda Fortaleza no ano que vem. Eu garanto que este filme ainda vai sair, assegura a cineasta. Com relação a Rosinha, junto com os outros 39 roteiros selecionados, quando estiverem prontos poderão ser negociados com alguma televisão a cabo para que possam chegar ao público consumidor.


