Os Passos de Anchieta estendem-se por um caminho de 100 quilômetros que margeia o litoral do Espírito Santo, observando a prática andarilha dos colonizadores que se valiam das praias à falta de trilhas na vegetação cerrada que cobria o território de então. Todo o percurso é marcado por aspectos ecológicos, históricos, religiosos e culturais.
Em intervalos constantes a Abapa, monta pontos de apoio aos andarilhos para fornecer água, frutas e medicação para as câimbras, bolhas e torções que inevitavelmente acabam acometendo os menos preparados. Ambulâncias e carros de apoio atendem casos mais graves, ou caminhantes que desistem.
Nas praias são encontrados poços naturais de água potável que, dizem, terem sido abertos pelo Padre Anchieta, ainda durante suas caminhadas para saciar a sua sede e a dos índios que constantemente o acompanhavam. Ubu, uma pequena vila à beira de uma extensa praia de águas mansas, recebeu este nome quando Anchieta ali passou pela última vez. Carregado por uma multidão de cerca de três mil índios, seu esquife tombou, o que fez os índios exclamarem ''Aba Ubu'' á o padre caiu.
Hoje, no local há uma cruz onde os andarilhos viram-se de costas e atiram conchas, cada uma simbolizando um pedido que gostaria que fosse atendido pelo padre. Uma alusão às pedras que são atiradas por cima do ombro, no caminho de Santiago de Compostela.
O prêmio da caminhada é a visão da escadaria que leva ao santuário de Anchieta, uma construção jesuítica de 1597, erguida pelo beato em seu último ano de vida com a ajuda dos índios tupis. Os participantes compartilham uma refeição de boas vindas, e também a história de solidariedade, superação de obstáculos físicos e interiores, amizade e satisfação que caracterizavam o beato.

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